BRUCE DICKINSON EM ENTREVISTA - Fala abertamente sobre sua doença

October 18, 2015

Em recente entrevista publicada na revista Roadie Crew (Edição 201 - outubro/2015), a qual foi concedida ao correspondente Paul Elliott, Bruce Dickinson abre o jogo e fala abertamente sobre os maus bocados pelos quais passou em função do câncer.

 

Bruce Dickinson deve estar num forte processo de elaboração dos percalços que o acometeram, pois há bem pouco tempo evitava fortemente falar sobre a doença.

 

Eu mesmo assisti sua palestra no dia 18 de junho de 2015, por ocasição do encerramento do CIAB (congresso de tecnologia bancária organizado anualmente pela FEBRABAN) - leia a matéria publicada neste site - e ao final de seu brilhante e eloquente discurso, ele sentou-se numa poltrona colocada no palco e respondeu às perguntas feitas pelo interlocutor do evento; e logo no início da entrevista, ao ser interpelado sobre a doença, Dickinson foi categórico - e até um pouco ríspido - dizendo que não queria falar sobre o assunto. Ou seja, naquele momento ele não estava pronto para falar sobre o tema.

 

E ao ler a entrevista concedida agora para a Roadie Crew, dá para entender perfeitamente porque o cara não queria falar sobre o assunto. Ele realmente passou por situações bem difíceis e deve ter sofrido um bocado.

 

De cara o repórter já sinaliza aquilo que todos já perceberam, ou seja, que Bruce Dickinson está mais magro e um pouco pálido. Todavia, enfatiza que continua a mesma pessoa objetiva e eloquente de sempre.

 

Dentre tantas coisas que foram reveladas na entrevista, Bruce Dickinson falou sobre como descobriu que estava doente, quanto tempo demorou para procurar um médico, quais foram suas reações diante do dianóstico, como o pessoal da banda reagiu etc. Falou também sobre sua decisão de não divulgar a doença ao público logo de cara... Mas o mais impressionante foram seus relatos sobre as dores que sentia e sobre o sofrimento causado pelo tratamento (nove semanas de quimioterapia e trinta e três sessões de radioterapia).

 

Sobre a descoberta, Bruce revelou que estava em Paris gravando o mais recente disco (Book Of Souls) e que começou a sentir dores de ouvido e que depois apareceu um caroço no pescoço. Sua reação foi consultar o "Dr. Wikipedia" e de cara concluiu que poderia estar com um tumor na língua em função de uma doença chamada papilomavírus humano (HPV). Todavia, inicialmente ignorou e decidiu que somente iria procurar um médico depois do término das gravações. Declarou ainda que no fundo ele sabia que era algo sério; penso que ele tentou negar a realidade, reação que julgo bastante comum... Talvez a maioria das pessoas pensem assim.

 

Somente seis semanas depois de seu autodiagnóstico, quando o processo de gravações estava no final, é que Bruce procurou por um diagnóstico médico. E não deu outra; após consultas e exames, foram detectados dois tumores; um na língua (quase do tamanho de uma bola de golfe) e outro no gânglio linfático. O que deve ter amenizado um pouco a notícia foi a postura do médico, o qual disse que ele era um forte candidato a uma cura completa e ainda falou "Vou tirar isso de você e nunca mais vai voltar". Imagino que isto deva ter gerado uma energia bem positiva em Bruce Dickinson.

 

Entretanto, segundo os relatos que se seguiram durante a entrevista, as reações de Dickinson foram inicialmente ambíguas; por um lado ele acreditava que ia sair desta; por outro, foi acometido por sentimentos de autopiedade e revolta, com pensamentos negativos a cerca da doença. Mas passados alguns dias da notícia, resolveu continuar sua vida e tentou voltar às suas rotinas.

 

E então veio o tratamento. As sessões de quimio e radioterapia, além da ingestão de remédios fortes a base de morfina e antibióticos. Durante este processo, Bruce relatou que ficou muito debilitado e que só tinha vontade de ficar largado no sofá. Ele relatou ainda (e isso me deixou bastante impressionado) que sua língua doia muito e que ele mal podia falar (imagina isso para um cara que é vocalista de uma das maiores bandas de heavy metal da atualidade); durante a noite, ele molhava papel toalha com analgésico e colocava na boca, o que anestesiava sua língua por algumas horas, procedimento que permitia que ele tivesse algumas horas de sono; porém, quando o efeito do remédio passava, ele acordava berrando de dor! Ainda sobre o tratamento, disse que as três últimas semanas foram as piores e que no final ele estava exausto e sem ânimo para nada.

 

Outro ponto da entrevista que me deixou bastante impressionado (e um pouco preocupado) é a parte final, onde Bruce Dickinson revela que ainda está em processo de recuperação de sua voz. Segundo ele, não houve mudança de voz em relação aos tons agudos mais altos e nos graves mais baixos; todavia, ainda está em processo de recuperação dos tons médios e que isto ainda vai levar um tempo.

 

Ele termina a entrevista com a positividade característica: "Não vai ser simples assim me tirar dos palcos. Eu ainda estou aqui, eu venci".

 

A entrevista é longa e em algumas partes, tirando o lado trágico, chega a ser bem divertida. Uma excelente leitura para fãs de heavy metal e do Iron Maiden. Recomendo que a leiam na íntegra.

 

Meu objetivo nesta matéria é dividir com os demais fãs o conhecimento de uma realidade que eu ignorava por completo. Da forma como tudo aconteceu e como foi divulgado na imprensa, tive a impressão de que Bruce Dickinson havia adquirido um câncer de pequenas proporções e que o tratamento havia sido tranquilo, fácil. Mas não; o negócio foi bem sério! Felizmente, segundo seus próprios relatos, a doença foi extinta; mas durante algum tempo, exames periódicos terão que ser realizados, de forma a prevenir e remediar no caso de uma recaída.

 

Termino o texto desejando que Bruce Dickinson esteja realmente recuperado por completo, que sua voz volte a ecoar nos palcos do mundo da forma como sempre ecoou. E que no dia 26 de março eu esteja no Allianz Parque, assistindo a mais um show do Iron Maiden e ouvindo o chamamento de Bruce Dickinson "SCREAM FOR ME SÃO PAULO"...

 

Valeu Galera do Rock.

 

Até a próxima.

 

Betão Star Trips

 

 

Créditos: a presente matéria tem partes de textos extraídas da reportagem publicada na Revista Roadie Crew, edição 201, outubro/2015, páginas 28, 29 e 30.

 

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