THE WINERY DOGS - ÁLBUM "HOT STREAK"

October 27, 2015

Album: “Hot Streak”

Banda: The Winery Dogs

Lançamento: 2 de outubro de 2015

Classificação: Du carai!

 

Amigos admiradores do bom e velho rock ‘n’ roll (com os devidos créditos ao chefe Betão), é com muita satisfação que faço minha estreia neste espaço, onde vez e outra tentarei passar minhas impressões a respeito de bons álbuns de bandas novas e antigas que ainda dedicam seu esforço a produzir o filho bastardo do blues para nossos surrados e roqueiros ouvidos.

 

E é muito bom iniciar fazendo a resenha do último álbum de um supergrupo. Supergrupo em todos os sentidos: instrumentistas talentosíssimos e virtuosos, com passado em grandes bandas e ainda com muita garrafa vazia pra vender em termos de energia e autenticidade roqueira (artigo cada vez mais raro nas prateleiras virtuais do mercado musical hoje em dia).

 

Trata-se da banda The Winery Dogs. Esses caras acabaram de lançar um álbum (em 2 de outubro de 2015), chamado “Hot Streak”, o segundo na carreira da banda (e arrisco dizer que se trata de um produto muito melhor acabado que o bom álbum de estréia de 2013). No lançamento já alcançou o quinto lugar nas paradas “Mainstream Rock” e “Hard Rock” da Billboard, e periga ser um dos grandes sucessos de rock nesse ano que já caminha ao fim. Supergrupo é assim mesmo.

 

Antes, um pouco sobre os integrantes: Essa banda californiana é um projeto do baixista Billy Sheehan (David Lee Roth, Mr. Big) e do baterista Mike Portnoy (Dream Theater, Adrenaline Mob), ambos muito conhecidos, vividos e considerados por dez em cada dez músicos, “top masters” em seus instrumentos. O terceiro integrante é menos conhecido, motivo pelo qual lhe dedicarei umas linhas a mais: o vocalista e guitarrista Ritchie Kotzen. Kotzen foi um garoto prodígio no fim dos anos oitenta, gravou seu primeiro álbum solo com 19 anos e impressionou o círculo musical de Los Angeles com sua técnica e vocabulário musical. Já era uma pequena celebridade quando foi recrutado para ser o guitarrista da banda Poison em 1992, com quem gravou dois álbuns. Depois, continuou em carreira solo e fez parte da segunda formação do Mr. Big, entre 1999 e 2002, onde conheceu Sheehan. Trata-se de um guitarrista fabuloso, mas que nunca teve o prestígio merecido (e convenhamos, teve o azar de fazer parte do Poison e Mr. Big em suas fases de declínio).

 

Pois bem, depois destas informações importantíssimas (me desculpem os já iniciados) vamos ao álbum. A primeira faixa, “Oblivion” já dá o cartão de visitas do que se apresentará na próxima uma hora e cinco minutos. O assalto sonoro que a banda proporciona nos primeiros acordes é de  impressionar, um fraseado atonal, pesado, distorcido, à lá Rush (ou Dream Theater), seguindo da avalanche da dupla Portnoy/Sheehan e da guitarra e voz de Kotzen. A cozinha baixo/bateria funciona lindamente, como se estivessem juntos há décadas, e cabe mais uma vez umas palavrinhas a mais para Kotzen: além de suas habilidades como guitarrista virtuoso, é um vocalista de muitos recursos. Seu timbre de voz está em um ponto perdido entre David Coverdale e Chris Cornell, o que confere um clima ao mesmo tempo clássico e moderno no som da banda. Por vezes ouve-se ecos do Deep Purple da administração Coverdale, e por outras vezes, Soundgarden no auge de Seattle (até na aparência, propositadamente ou não, Kotzen lembra muito Chris Cornell).

 

O álbum segue com a mesma pegada rápida, precisa, pesada e virtuosa, sem que em momento algum qualquer dos integrantes se permitam “sair da casinha” em arroubos egocêntricos. A música dos três é compacta e eficiente, com melodias despretensiosas, e nesse sentido se diferenciam muito de um Dream Theater, por exemplo. Destaco aqui as pesadas “Empire” e “Devil You Know”, com seus riffs eficientes, solos de guitarra e vocais de puro hard rock pra bater cabeça sem saudosismo. Nas belas “Ghost Town” e “The Bridge” ouve-se o baixo Yamaha de Sheehan soar como um trovão, timbre inconfundível, preenchendo o espaço para os vôos de Kotzen. Há também algumas baladas, como não poderia deixar de ser num álbum de hard rock clássico, e até momentos de delicadeza, como na base de violão flamenco que Kotzen executa em “Fire”, ou mesmo ambiência, como na faixa “The Lamb”, que fecha o álbum fazendo um pequeno contraponto com a sua explosiva abertura.

Enfim, “Hot Streak” proporciona uma audição agradável e empolgante na sua hora de duração. Nenhuma faixa destoa da outra, nenhuma é muito longa ou muito curta, está tudo na medida correta pra quem espera bom hard rock. Infelizmente não assisti às recentes apresentações que esta banda fez no Brasil recentemente, mas estarei atento para as próximas. O que espero sinceramente é que os caras encarem esse aparente exercício temporário como algo um pouco mais definitivo, e se solidifiquem como uma banda de fato. Espero mais trabalhos excelentes como esse dos senhores Sheehan, Portnoy e Kotzen!

 

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