DEEP PURPLE MARK I

November 2, 2015

Liverpool, 1967 e Chris Curtis, ex-baterista da banda The Searchers, conseguiu convencer um empresário de Londres, Tony Edwards, liberar uma verba para que ele montasse uma nova banda que se chamaria Roundabout, uma viagem psicodélica onde a banda se revessaria em torno do baterista e é claro que a verba mal deu para que Curtis tivesse algumas viagens de ácido e pirasse a ponto de forrar as paredes do seu apartamento com papel alumínio!!! Não me pergunte porque!!!

 

Mas isso rendeu a reunião de John Lord, que conhecia um baixista, Nick Simpler, com Ritchie Blackmore, que conhecia um baterista, Ian Paice que conhecia um vocalista Rod Evans!!!

 

Devidamente rebatizada de Deep Purple, nome de uma antiga canção que o avô de Blackmore adorava, a banda começou a compor e se apresentar em bares e clubes na Inglaterra. Naquele tempo o rock estava alta no Reino Unido e na Europa e assim muito fácil arrumar onde tocar, abrindo shows de outras bandas como The Birds, The Yardbirds, Cream ou mesmo Hendrix e mais comum ainda era ter músicos de banda já famosas entre o público, como Mick Jagger, Jimi Hendrix, John Lennon...

 

A diversidade do conhecimento musical e a origem de cada um dos músicos ajudou muito para que a banda tivesse um som único e bem diferente na época. Lord tinha formação clássica, Blackmore e Simpler tocavam em bandas Pop e Paice e Evans em Beat Bands, movimento que surgiu nos anos 50 em Londres que norteou o Rock Britânico até o fim dos anos 60.

 

Em nove meses juntos a banda já tinha material suficiente para um álbum com 8 faixas e em Março de 1968 a banda entrou no Trident Studius em Londres para as gravações. O álbum foi lançado em Julho do mesmo ano nos EUA e em Setembro no Reino Unido. Nele haviam composições do grupo, como And the Adress, que já mostrava como a dupla Lord/Blackmore ia funcionar muito bem nos próximos anos e também uma série de covers que iam desde Help do The Beatles, como Hey Joe até a música que impulsionou a banda, Hush, do compositor americano de Country e Blues Joe South.

 

O álbum foi muito mal criticado no Reino Unido, pois para os experts da época, soava muito com o rock americano, “um Vanilla Fudge piorado”, muito comercial, como se os Beatles e os Stones não o fossem!!! Porem nos EUA o álbum foi muito bem recebido. A mistura dos teclados Hammond de Lord, com a sutileza da Gibson ES 335 de Blackmore já se destacava e chamava muita atenção nas apresentações da banda. Isso mesmo Senhoras e Senhores, ES 335!!!! A Fender Stratocaster Olimpic White com braço escalopado só passaria a ser a guitarra oficial de Blackmore nos anos 70!!

 

Com este material em mãos, a banda passou a compor mais e mais e se apresentar com muito mais frequência e seis meses depois lançam o álbum The Book of Taliesym, já com turnê marcada nos EUA, para abertura dos shows do Cream em 20 cidades.

 

Este segundo álbum consolidaria definitivamente a sonoridade da banda. Gravado no De Lane Lea Studios em Londres, o álbum foi considerado psicodélico, progressivo e hard rock, com muitas inserções de música clássica, demostrando uma maturidade bem maior do que no primeiro trabalho da banda, resultado de muitas apresentações e longos improvisos e duelos entre Lord e Blackmore. A bateria de Ian Paice começava a tomar uma batida que marcaria a levada da banda para sempre, escutem Listen Learn Read On!!!

 

The Book of Taliesym foi completamente ignorado pela crítica inglesa que estava absorta entre Blues Rock do Cream e o Psicodelismo do Pink Floyd, ao contrário da crítica Americana, que vendo a prepotência da crítica Inglesa, passou a elogiar com uma ênfase muito positiva o trabalho da banda e claro que isso fez com que a popularidade da banda nos EUA crescesse muito. O álbum consta com algumas composições próprias, sempre com John Lord dando as cartas e alguns covers, como We can work it out dos The Beatles e Kentucky Woman de Neil Diamond.

 

A excurção pelos EUA atingiu um relativo sucesso e com muito elogio da crítica local, porem no Reino Unido e Europa, a banda ainda não tinha decolado, o que fez com que Lord e Blackmore começassem a procurar outras alternativas, sem que os outros integrantes da banda soubessem.

 

Em Março de 1969, pressionados pela gravadora, a banda volta novamente ao De Lane Lea Studios para a gravação de um novo álbum, em meio a muitas discussões entre Rod Evans Nick Simpler e Ritchie Blackmore, pois tanto o vocalista quanto o baixista não queriam que o som da banda soasse mais pesado. Com isso a banda era mais popular nos EUA, no cenário Pop, do que no Reino Unido e isso estava irritando muito Blackmore.

 

A álbum Deep Purple, ou comumente conhecido como DP III, demonstra toda esta tensão, bem mais pesado que os trabalhos anteriores, mas muito bem estruturado na dupla Lord/Blackmore, como podem ouvir na clássica Chasing Shadows. É nítida a tentativa de se aproximar do Blues-rock Britânico nas músicas The Painter e Why didn’t Rosemary?, bem como a aproximação do psicodélico com a viajante Bird has Flown. Neste momento a banda poderia ir para qualquer lado, Lord estava claramente a frente do grupo e a faixa April deixa claro a sua formação e a vontade de gravar algum material juntando a banda com uma orquestra clássica.

 

Em 24 de Julho de 1969, os Lord e Blackmore foram a apresentação da banda Episode Six, cujo vocalista era Ian Gillan. Nesta noite, os dois se juntaram a banda para uma jam no final do show e daí nasceu o convite para Gillan e o baixista Roger Glover se juntarem a banda.

 

Durante o mês de Agosto, Lord, Blackmore, Paice, Gillan e Glover trabalharam em paralelo a suas bandas, formando um novo Purple e já planejando um novo álbum, mais pesado, com mais consistência, além de é claro, da preparação do Concerto for Group and Orquestra de John Lord.

 

Mas daí pra frente já é história a ser contada em outro post, o Deep Purple Mark II, que vou lançar daqui uns dias!!

 

Confiram o álbum Shades of Deep Purple e boa semana a todos!!!

 

 

 

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