DAVID BYRON - O MELHOR VOCALISTA QUE O URIAH HEEP JÁ TEVE?

November 15, 2015

Por certo que o Uriah Heep teve (e tem) excelentes vocalistas. Quem comanda o posto brilhantemente (desde 1986) é o canadense Bernie Shaw; e ele tem conseguido, ao lado do lendário guitarrista Mick Box, manter acesa a chama desta maravilhosa (e pouco comentada) banda.

 

Outros tantos bons vocalistas passaram pela banda e deixaram boas marcas; posso citar pelo menos três caras que engrossam a polêmica "quem é o melhor"...

 

Certamente, o britânico John Lawton figura entre os mais cotados. Cantor de grande alcance vocal, adentrou à banda no ano de 1976, após ter se desligado dos germânicos do Lucifer's Friend (outra banda excelente e que merece figurar neste espaço... Aguardem). John Lawton pemaneceu na banda até o ano de 1979 e participou da gravação três álbuns do Uriah Heep.

 

Após a saída de Lawton do Uriah Heep, outro britânico, oriundo do País de Gales, assumiu o posto de vocalista. Seu nome é John Sloman. Sloman ficou apenas por volta de um ano no grupo e gravou um único disco. Mas apesar do pouco tempo de banda, mostrou que tinha plenas condições técnicas e artísticas para manter a qualidade vocal da banda.

 

Chegamos então a outro britânico que comandou a parte vocal do Uriah Heep. Seu nome é Peter Goalby. Eu, particulamente, não gosto da fase do Uriah Heep com Peter Goalby nos vocais. Não que eu ache que Goalby seja um mau cantor, mas porque os caminhos musicais que a banda assumiu neste período (1982 a 1985) mudaram demais. Aquele hard rock virtuoso, marcado pelos arranjos vocais e instrumentais sofisticados e grandiosos, pelo som fantástico e maravilhoso do órgão Hammond, perdeu força e ganhou ares de uma musicalidade AOR, muito parecida com o que estava sendo feito por bandas americanas na década de 1980. Tenho a nítida impressão de que a banda queria emplacar nas paradas americanas, coisa que jamais haviam conseguido até então.

 

Pois bem meus amigos. Passo agora a escrever sobre o tema principal desta matéria, o vocalista David Byron.

 

Nascido David John Garrick, o também britânico David Byron iniciou sua carreira musical junto ao guitarrista Mick Box. Em 1965, eles integravam uma banda de nome "The Stalkers", a qual não durou muito tempo. Já em 1967, a dupla formou outra banda chamada "Spice" e que logo em seguida mudou seu nome para Uriah Heep (nome de um personagem de uma novela do escritor Charles Dickens).

 

Juntamente com Ken Hensley, Box e Byron moldaram o som que caracterizou o Uriah Heep da primeira fase (1970 a 1980). A parte lírica das músicas do Uriah Heep sempre foi muito forte, com vocais muito bem conduzidos por David Byron (e eventalmente Ken Hensley) e também por arranjos vocais feitos para o restante do grupo, o que fazia da sonoridade do Uriah Heep algo muito diferente de tudo o que rolava na cena rock setentista. Logicamente que o sucesso do grupo não ficava apenas concentrado nas linhas vocais. O virtuosismo era característica de todos os integrantes da banda.

 

A começar pela excelente cozinha que a banda sempre teve, dando o devido destaque para o baterista Lee Kerslake e para o baixista Gary Thain, dentre tantos outros que circularam dentro do Uriah Heep. Mick Box é um guitarrista de qualidade incontestável; segura a banda até hoje, mostrando a todos o que o rock pode fazer por alguém que não sucumbe ao próprio rock; Ken Hensley sempre foi o grande mestre compositor da banda e comandava a sonoridade do Uriah Heep através dos sons maravilhosos que saiam de seu famoso Hammond B3. E por fim,chego a David Byron, que para mim sempre será o melhor vocalista que passou pelo Uriah Heep.

 

Dono de uma voz forte, potente e cristalina, David Byron era capaz de cantar agudos dignos de Ian Gillan ou de Robert Plant. Por outro lado, tinha um tom de voz firme e envolvente, desempenhando brilhantemente desde músicas mais hard (tal qual Suicidal Man, do álbum Wonderworld, de 1974) até performances mais melódicas e suaves - ouça a canção Paradise, terceira faixa do lado B do álbum Demons And Wizards.

 

Infelizmente, como tantos exemplos no rock and roll, os vícios e excessos, bem como dificuldades em lidar com o sucesso, levaram Byron para um caminho tortuoso e com um fim comum neste meio. O cara teve fortes problemas com o álcool; já encontrei tristes registros em vídeo na internet, onde Byron cantava sob condições bem precárias, muito bêbado.

 

Com a incidência cada vez maior de contratempos oriundos de seu vício, os outros integrantes da banda fatalmente demitiram Byron; apesar de duríssima, tal decisão foi vital para a continuidade da banda. Sabia-se que David Byron era peça fundamental na dinâmica e na sonoridade do grupo; todavia, a convivência com um Byron cada vez mais cansado e inoperante era insuportável.

 

Apesar da demissão, ocorrida em 1975, David Byron ainda conseguiu reunir forças e seguiu em carreira solo e também participou de alguns trabalhos conjuntos. Entre 1975 e 1984, gravou três discos solo e participou de alguns projetos musicais, tais quais Rough Diamond e The Byron Band. Saiba mais através do site www.davidbyron.net.

 

Tal qual tantos outros artistas do mundo rock, David Byron nos brindou com seu talento por pouco tempo. Os problemas com o alcoolismo persistiram e leveram Byron a um final dos mais comuns e previsíveis: foi encontrado morto em sua residência, vítima de um infarte face à ingestão de altas doses de álcool. Morreu em 1985, com apenas 38 anos de idade.

 

Pois bem, caros amigos do rock... Prá mim, Byron foi um dos maiores vocalistas do rock and roll e, em se tratando de Uriah Heep, foi uma das pedras fundamentais do grupo. Depois de sua saída, a banda nunca mais teve a mesma pegada. John Lawton ainda deu um ar grandioso às músicas, mas pouco a pouco, o Uriah Heep foi se apagando e perdeu o brilho intenso e original do passado.

 

Concordam comigo? Não? 

 

Sem problemas... Compartilhem suas opiniões comigo... Vou ficar contente de saber o que pensam sobre o tema.

 

Até mais e um forte abraço!

 

Betão Star Trips.

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