DEEP PURPLE MK II

November 29, 2015

Abril de 1965, empresária da banda Episode Six, Gloria Bristol estava à procura de um novo vocalista para sua banda, pois o anterior havia abandonado a banda para se casar, o jovem Ian Gillan, prestes a completar 20 anos, que havia tocado bateria e cantando em algumas bandas em Londres foi o escolhido. Gillan considera este o seu primeiro trabalho profissional como vocalista. A banda chegou a obter um relativo sucesso, excursionaram pela Alemanha e tocavam regularmente no Light Programme, uma estação de rádio da BBC e apesar de terem gravado 9 singles em 3 anos, nenhum deles emplacou.

 

Em 24 de Julho de 1969, após uma apresentação da banda no Ivy Lodge Club em Londres, Gillan recebeu um convite de dois músicos bem conhecidos na época, Jon Lord e Ritchie Blackmore. Eles estavam procurando um novo vocalista, mas isso era segredo absoluto, ninguém podia saber, pois o então vocalista do Deep Purple, Rod Evans, não sabia que seria demitido! Uma condição para que Gillan fosse contratado era que seu amigo e parceiro nas composições, Roger Glover, também fosse para o Purple. Blackmore aceitou de imediato, já que a relação com Nick Simper, então baixista da banda, estava muito ruim.

 

A banda ensaiou em segredo até o final do agosto, já pensando em um novo álbum e preparando o Concerto for Group and Orquestra de John Lord. 'Hallelujah' foi o primeiro single desta nova fase, mas tinha muito a cara do Purple MK I e logo caiu no esquecimento, a banda a deixou de tocar, assim como quase todas as músicas da fase com Rod Evans nos vocais.

 

Em 24 se de setembro daquele mesmo ano, a banda sobe ao palco do Royal Abert Hall, para a antológica apresentação Concerto for Group and Orquestra de John Lord. No programa constavam os três movimentos da Sinfonia No. 6 de Malcolm Arnold, Hush e Wring That Neck, da fase MK I e pela primeira vez o mundo conheceria a maravilhosa Child in Time. Para fechar a noite, os três movimentos do Concerto for Group and Orchestra de Jon Lord, com letras de Ian Gillan. Nesta formação da banda, o Concerto seria executado somente mais uma vez, em Los Angeles, EUA, em 25 de setembro de 1970.

 

Após a apresentação no Royal Abert Hall, ficou claro para todos e também para a Crítica Inglesa, que o Purple MK II era outra banda, completamente reformulada e com um novo caminho pela frente. A expectativa para o lançamento do novo álbum era grande e a banda trabalhava em duas frentes, diversas apresentações no Reino Unido e outros países da Europa e as gravações nos estúdios IBC, De Lane Lea e Abbey Road.

 

Em 3 de Junho de 1970, o mundo conheceria o álbum que junto com os álbuns Led Zeppelin II e Paranoid do Black Sabbath, definiriam a estrutura do Heavy Metal até os dias de hoje. Deep Purple in Rock era simplesmente uma pedrada, aliás uma não, 7 pedradas!!!! Definitivamente a Crítica Inglesa se curvaria perante essa obra magistral!!!. Não havia mais o que ser dito sobre a maestria de Jon Lord e sua incontestável parceira com as guitarras de Blackmore, ainda com a ES-335, a Fender Stratocaster seria incorporada alguns meses depois, durante a turnê da banda pelos EUA!! MAS OPA!!! PERAÍ !?!?! Temos mais um elemento incluso nesta parceria, uma voz gritando entre os teclados e os solos de guitarra, sim Senhoras e Senhores, Ian Gillan em plena fase de potência vocal máxima!!!!!! Finalmente o Purple tinha encontrado a voz que lhe faltava para trilhar os caminhos do rock pesado!!! A cozinha estava muito bem montada pelo mestre das baquetas Ian Paice e as linhas de baixo de Roger Glover, direcionadas para o Hard Rock.

 

O álbum foi muito bem recebido pela Crítica e pelo Público, atingindo o 4º lugar na parada inglesa e permanecendo lá por quase um ano. Speed King, Chid in Time e In to the Fire colocariam definitivamente o Purple como uma das bandas mais importantes da época!!! A famosa e não menos pegada Black Night seria lançada como single em paralelo ao álbum e só seria incluída ao álbum em edições posteriores, com a redução da introdução de Speed King.

 

A Purple-Mania estava definitivamente lançada e em julho de 1971 a banda lança o álbum Fireball nos EUA, que diferente da versão Inglesa, teria Strage kind o Woman no lugar de Demons Eyes. O quinto álbum de estúdio da banda, foi gravado entre setembro de 1970 a julho de 1971, intercalado com as apresentações da banda. Foram usados os estúdios De Lane Lea e Olympic em Londres, além do The Hermitage, em Devon, norte da Ingalterra e foi o primeiro álbum da banda a alcançar a primeira posição na parada inglesa.

 

A produção da banda, tanto em apresentações quanto em compor novas músicas era intensa e assim que prontas, as novas músicas já eram incluídas nos shows!!! Highway Star foi ouvida pela primeira vez ainda na turnê do álbum Fireball.

 

Em seis meses a banda estaria de volta ao estúdio, desta vez na Suíça, porém Gillan pegou hepatite e as gravações foram adiadas por um mês. O Montreux Cassino estava reservado para a banda porem no dia 4 de dezembro, em uma sessão de gravação de Frank Zappa, o hotel pegou fogo, dando origem a música que se tornaria o maior riff de todos os tempos, Smoke on the Water.

 

Devidamente realocados, as gravações foram realizadas Gran Hotel em Montreux usando o estúdio móvel dos Rolling Stones, entre os dias 6 e 21 de dezembro. O lançamento do álbum aconteceu em 25 de março de 1972 e em 7 dias chegou no primeiro lugar das paradas inglesa e americana!

 

O famoso crítico da Rolling Stone, Lester Bangs declarou que as letras deixam muito a desejar e Blackmore está se auto-plagiando!!! É claro que está percepção da Rolling Stone mudou muito ao longo do tempo, veja a declaração mais atual: “Machine Head was their most successful disc. It turned Ritchie Blackmore into a guitar god for generations of players, and about 10 billion garage bands got their start playing "Smoke on the Water."

 

O disco é incontestável, já começa com Highway Star, um dos maiores sucessos da banda e um dos melhores solos da carreira de Blackmore, segundo ele mesmo!!!! Logo depois Maybe I’m a Leo, um rhythm and blues com a cara do Purple, na sequencia Pictures of Home com seu riff marcante e fechando o lado A, Never Before, outro som que reflete a alma do Purple MK II!! O icônico lado B com Smoke on The Water, Lazy e Space Truckin é simplesmente de cair o queixo da cara!!! Na minha humilde opinião, Machine Head está entre os melhores 10 discos de rock da história!!!

 

A banda caminhava a passos largos, as apresentações ao vivo eram vigorosas e contagiantes, Gillan, Blackmore e Lord estavam muito bem entrosados e pela primeira pela primeira vez foi ao Japão, realizando 3 grandes apresentações nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 1972. A gravadora gostou tanto da ideia que ofertou a banda a possibilidade de lançar um disco ao vivo, mantendo a tradição das bandas britânicas da época. A banda relutou um pouco e não levou muito a sério, mas em dezembro de 1972 o álbum duplo foi lançado no Reino Unido.

 

O álbum retrata muito bem a energia que o Purple MK II tinha no palco, o incrível solo de bateria de Paice em The Mule, a interação de Gillan e Blackmore em Strange King of Woman, sem contar o final avassalador onde Gillan mostra toda a sua potência vocal, a introdução de Lazy onde Lord mostra porque é considerado até hoje um dos maiores tecladistas do rock, entre outros pontos altos do disco, que cada vez que escuto percebo um detalhe diferente!!!

 

Sem dúvida nenhuma o Purple tinha se juntado a Zeppelin e Sabbath, formando a trinca sagrada do Rock Britanico e suas apresentações deixavam isso bem claro. Em paralelo a turnê de 72, a banda preparava um novo álbum, o sétimo de estúdio e o quarto e último desta formação.  Blackmore tinha perdido bastante poder de decisão na banda e isso o esteva deixando muito irritado, as discussões com Gillan e Glover eram constantes e pelos motivos mais ridículos possíveis.

 

As gravações do álbum “Who do you think we are” aconteceram em duas sessões, a primeira em Roma, em julho de 1972, verão Europeu, Gillan e banda estavam em uma Vila perto da cidade, sem ar condicionado, trabalhando nas novas músicas do álbum, mas Blackmore estava confortavelmente instalado em um hotel 5 estralas no centro da cidade, para Gillan aquele foi o ponto máximo da megalomania de Blackmore.

 

O disco foi concluído em outubro daquele ano em Frankfurt, Alemanha, com a ajuda do estúdio móvel dos Rolling Stones e lançado janeiro de 1973. Suas vendas superaram todos os lançamentos daquele ano, o sucesso foi explosivo, porem já era sabido que Gillan não continuaria na banda, ele havia entregado uma carta de demissão em dezembro passado, afirmado que continuaria na banda até o final da turnê. Glover entrou nesta barca e em 29 de junho de 1973, o Purple MK II se apresentou pela última vez, em Ozaka, Japão.

 

Com este comunicado em mãos desde dezembro, Blackmore, Lord e Paice começaram a busca por um novo vocalista e vários candidatos começaram a aparecer, Phil Lynott e Paul Rodgers foram mais que cotados!!! Mas isso é história para o próximo artigo, Deep Purple MK III, que vira em breve.

 

Enquanto isso vejamos o vídeo abaixo, Smoke on the Water, filmado em maio de 73 nos EUA, onde todos já sabiam que o Purple MK II estava no fim. Existem algumas curiosidades, o tradicional riff em Sol maior começa com uma introdução em Ré Maior, Gillan está visivelmente incomodado, sem a mínima vontade de cantar e reclama do retorno o tempo todo, em compensação o canhoto Paice executa sua levada de forma magistral e o famoso solo de guitarra de Blackmore é substituído por um improviso insano de Jon Lord, seguido de um final antológico de Lord e Blackmore se revessando nos improvisos, a banda está bem diferente, mas continua o Purple que arrasa em suas apresentações!!! Tirem suas conclusões e me digam!!!

 

Um grande abraço, Oity

 

 

 

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