TWISTED SISTER - PRECONCEITO, SUCESSO E EMPREENDEDORISMO

July 14, 2016

Começo esta matéria admitindo que, por muitos e muitos anos, alimentei um preconceito pela banda americana Twisted Sister (não somente esta banda... A lista é longa).

 

O que eu ouvia deles eram as músicas que tocavam nas rádios e os clipes que eram veiculados na televisão, inicialmente em programas como o Som Pop da TV Cultura e depois via MTV.

 

Eu, um convicto rockeiro setentista... Ouvinte e apreciador do rock feito na Inglaterra por bandas como Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin... Quando vi pela primeira vez aquela banda cheia de caras estranhos, com um visual ao mesmo tempo andrógino e espalhafatoso, creio que o impacto visual negativo bloqueou meus ouvidos. E apesar dos poderosos riffs de guitarra, do vozeirão afinado do cantor, da cozinha notoriamente competente e das melodias extremamente fortes e grudentas, confesso que tudo isto não foi percebido durante anos por este que vos escreve.

 

Para mim, Twisted Sister era uma das tantas bandas de glam rock ou hair metal que surgiram na década de 1980 e que faziam um rock meloso, repleto de purpurina e sem consistência alguma. Sinceramente, eu não tinha a menor vontade de ouvir o som deles.

 

Mais uma vez, ressalto aqui a carga preconceituosa que tomou conta de mim e de muitos outros amigos meus daquela época. Para muitos de nós, rock bom era aquele que vinha do continente europeu, mais especificamente o rock britânico. O rock americano era pura especulação comercial. 

 

Pois bem, meus caros amigos do rock. Demorou muito para que eu quebrasse tal paradigma. Hoje em dia, já não penso mais assim. Apesar de continuar a admirar sobremaneira o rock britânico, já me dei conta de que, do lado de cá do oceano Atlântico, na face norte do continente americano, muita coisa boa foi criada em termos de rock e heavy metal.

 

Especificamente sobre o Twisted Sister, a mola mestra que me fez começar a olhar a banda com outros olhos foi um cometário extremamente elogioso que um grande amigo meu fez sobre um show que ele havia assistido recentemente (Este fato ocorreu há vários anos). 

 

O amigo em questão é o Marcelo Fernandes Lopes - o grande Marcelão. Eu o conheci no ano de 2000. A princípio éramos apenas colegas de trabalho. Todavia, numa daquelas conversas bestas que rolam nas áreas de café das empresas, descobrimos, eu e Marcelão, que tínhamos o rock and roll como religião. E ai já viu... Quando dois rockeiros se reconhecem, a chance de uma grande amizade surgir é muito grande. E foi assim que passamos a conversar diariamente sobre rock, trocando informações sobre nossas bandas preferidas. E mais adiante, começamos a ir juntos a vários shows de grandes ícones do rock... Já perdi a conta de quantos shows curtimos juntos.

 

Resumindo a história, o Marcelão passou a ser mais uma das minhas fontes fidedignas sobre boas bandas e sobre outros tantos temas ligados ao bom e velho rock and roll. Assim sendo, quando ele me falou tão efusivamente a respeito do show do Twisted Sister, tecendo inclusive altos comentários sobre o vocalista Dee Snider... Galera... Deu um nó na minha cabeça...

 

Minha primeira reação foi de resistência. Confesso que achei que meu amigo estava exagerando um pouco. Entretanto, aquilo tudo ficou na minha cabeça por um bom tempo. Depois esqueci o assunto e segui curtindo outras tantas coisas. Mas o nosso subconsciente é algo fantástico e, em algum lugar, registra tudo o que vemos e ouvimos e, na hora certa, nos retro-alimenta com a informação certa, na hora propícia.

 

E assim foi, por ocasião da minha experiência como locutor de rádio, quando apresentei o programa STAR TRIPS na antiga FM Comunitária Star Sul, localizada no bairro Vila Santa Catarina, aqui na cidade de São Paulo, entre setembro de 2010 e agosto de 2012. Nesta época, seguindo aquilo que eu tinha me proposto a fazer, senti uma necessidade enorme de abrir meus horizontes em termos de rock. E neste sentido, comecei a incluir na programação do Star Trips não apenas as coisas que eu sempre curti e que tinha domínio. E por conta disto, quanta coisa boa que eu nem imaginava caiu na minha mão. Foi neste período que meu gosto musical, no tocante ao rock, desenvolveu-se sobremaneira.

 

Desta forma, o Twisted Sister certamente teria seu espaço na programação do Star Trips; e por conta disto, baixei a discografia completa da banda e ouvi uma gama de músicas que me fizeram mudar de opinião drasticamente. Desta época em diante, passei a admirar o Twisted Sister como jamais imaginaria até então. Li algumas matérias sobre a banda e tive acesso ao segundo álbum da carreira solo de Dee Snider, "Dee Does Broadway", lançado em 2012, onde ele interpretou de forma brilhante grandes sucessos que fizeram parte de musicais da Broadway.

 

Enfim, lembrei do meu grande amigo Marcelão e de tudo de bom que ele havia me falado sobre o Twisted Sister e sobre seu carismático vocalista. E foi a partir de então que comecei a me tornar um fã desta inusitada e talentosa banda de hard rock. Finalmente, venci o preconceito.

 

 

WE ARE TWISTED F***ING SISTER

 

 

Lendo a edição de julho de 2016 da Revista Roadie Crew, tive acesso a uma excelente entrevista concedida pelo guitarrista Jay Jay French, fundador e líder do Twisted Sister, onde ele fala, entre tantas coisas, sobre um excelente documentário a respeito da banda, lançado recentemente.

 

Nesta entrevista, ele fala bastante sobre o começo da banda, no ano de 1972; do sucesso que eles faziam nos bares e casas de shows de Nova York e cidades do entorno, as quais eles lotavam noite após noite; e da grana que eles ganhavam com estes shows.

 

Falou também da troca de integrantes que não se integraram ao estilo do grupo, até chegar na formação matadora que alcançou o sucesso anos mais tarde, a qual contava com ele e Eddie Ojeda nas guitarras, Mark "The Animal" Mendoza no baixo, A. J. Pero na batera e Dee Snider nos vocais.

 

Porém, abordou também as dificuldades e os percalços pelas quais a banda passou durante 10 anos sem conseguir um contrato com uma grande gravadora.

 

E uma das razões pela quais tal contrato nunca acontecia era justamente o preconceito da indústria musical da época, a qual não levava a banda a sério em função do visual extravagante que eles adotavam. Executivos de grandes gravadoras viraram as costas para a banda, ignorando o tremendo sucesso que o grupo fazia durante suas apresentações matadoras.

 

Neste ponto da entrevista, lembrei-me do meu próprio preconceito com relação aos caras e de quanto tempo perdi por não acreditar que aquele bando de malucos eram, acima de tudo, excelentes artistas.

 

Outro tema muito bacana abordado por Jay Jay French foi justamente a perseverança da banda frente as dificuldades que teimavam em surgir em seus caminhos e de como eles reuniam forças e criatividade para continuar seguindo em frente até chegar ao sucesso completo e, o mais importante, sem abrir mão de suas convicções musicais e artísticas. Tanto que, uma de suas atividades profissionais atuais gira em torno de palestras sobre negócios e empreendedorismo, uma vez que, segundo Jay Jay, uma banda de rock, acima de tudo, também é um empreendimento.

 

Tudo isto e muito mais vocês poderão curtir ao assistir "We Are Twisted F***ing Sister", documentário escrito, produzido e dirigido pelo produtor americano Andrew Horn.

 

Tal documentário, o qual foi produzido em 2014 e lançado comercialmente agora no ano de 2016, conta com a participação de todos os membros da formação de maior sucesso do grupo e também de produtores, managers e fãs do grupo, todos contando detalhes e curiosidades que marcaram a trajetória da banda em busca do sucesso.

 

Se você é fã do Twisted Sister, assistir a este documentário é algo mais do que obrigatório. Entretanto, se você, assim como eu no passado, tem qualquer tipo de restrição com relação à música, ao visual ou ao estilo da banda, também recomendo assistir, pois tenho certeza que há grande chance de você mudar de ideia.

 

Fica aqui mais uma dica do Star Trips.

 

Forte abraço e até a próxima.

 

Betão Star Trips

 

 

P.S.: O documentário "We Are Twisted F***ing Sister" está disponível para usuários do Netflix.

 

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