ANÁLISE: O ROCK ESTÁ MORRENDO... SERÁ?

January 31, 2016

Já faz tempo que eu escuto esta história de que o rock está morrendo. Mas nunca dei muita bola para o assunto. Sempre achei - e continuo achando - que o rock veio para ficar e que somente num futuro mais distante, sob a incontestável perspectiva do passar do tempo, é que perceberemos isto.

 

Todavia, não há como deixar de sentir tristeza e uma certa dor ao ver tantos ídolos indo embora... Com certeza, ficamos com um sentimento de vazio. Mas isto é inerente à morte. Sempre será assim.

 

Foi no ano de 2012 que pela primeira vez me veio um sentimento de dúvida com relação a este lance da morte do rock. No dia 16 de junho deste ano, quando começaram a pipocar notícias sobre a morte de Jon Lord, foi neste dia que eu senti um grande sentimento de vazio em relação à música. Morria, vítima de cancer no pâncreas, o britânico Jonathan Douglas Lord. E com ele morria uma parte importante de uma das mais icônicas bandas de rock do planeta, o Deep Purple. 

 

E por que este fato teve tanta relevância para mim? Porque cresci ouvindo Deep Purple. Esta banda fez parte da minha adolescência. E o som do poderoso Hammond de Jon Lord moldou o meu gosto musical para sempre.

 

Nesta época, me peguei pensando que um músico deste calibre jamais poderia ser substituído e tudo o que ele fez na música jamais seria feito novamente com tanta propriedade. Portanto, naquele momento, somente pude concluir que um pedaço do rock morreu junto com ele.

 

Outro grande golpe que sofri foi quando fiquei sabendo da morte de Chris Squire. Na época, escrevi uma matéria aqui no Star Trips dizendo "Morrreu Chris Squire... Morreu o Yes". 

 

E neste final de ano de 2015 e começo de 2016 a avalanche tem sido forte... Scott Weiland (ex-STP) e o lendário Lemmy Kilmster em dezembro... David Bowie e Glenn Frey (Eagles) nos primeiros dias de 2016... E mais recentemente, enquanto elaborava esta matéria, mais duas importantes baixas; Jimmy Bain, ex-baixista do Rainbow e do Dio; e Paul Kantner, um dos grandes nomes do Jefferson Airplane... Desculpem a má palavra... Mas que porra é essa??? Estão organizando um grande festival no astral? Será isto?

 

Não há como negar que grande parte de nossos ídolos rockeiros abusaram de tudo quanto é tipo de substâncias tóxicas e alucinógenas (de bebidas alcoólicas a anfetaminas, passando por LSD, cocaína e heroína - e tantas outras). Além disso, o sucesso trouxe um ritmo frenético na vida destes caras... Shows, festivais, longas turnês ao redor do mundo... O assédio constante de admiradores... Gravações de discos... Festas, festas e mais festas... 

 

Logo, se o sujeito não morreu de overdose durante seus gloriosos momentos de pico e conseguiu chegar à terceira idade, podemos esperar, no mínimo, que com a velhice os traumas físicos causados pelos abusos toxicológicos e pelo estilo de vida totalmente sem regras virão cobrar suas devidas faturas, mais cedo ou mais tarde.

 

Continuando nesta linha de raciocínio, já há alguns anos entramos numa fase do rock onde muitos daqueles que sobrevireram ao próprio rock atigiram a terceira idade. Somente por isso, já começamos a pensar na possibilidade de morte de muitos deles. Soma-se a isto, como ressaltado acima, as consequências dos abusos do passado. Desta forma, é compreensível que estejamos observando um expressivo aumento de partidas de nossos ídolos rumo ao outro lado da vida. Mas, caramba!!! Não dava prá ser num ritmo mais lento e cadenciado? 

 

Agora a pouco, dando uma navegada no Facebook, vi um compartilhamento de notícia sobre Phil Collins, o qual chegava de bengala para uma entrevista na Rede BBC. Na matéria há menção sobre suas dificuldades advindas de problemas no quadril e nas costas e que Phil Collins descarta a possibilidade de voltar a tocar bateria. Ou seja, mais um dos medalhões do rock mostrando ao mundo que a sua vitalidade está comprometida. Pois é... O cara está com 65 anos...

 

A conclusão, obviamente, é que dentro de poucos anos o mundo do rock vai se ressentir cada vez mais com morte de tantos e tantos nomes importantes que transformaram este estilo musical e de vida naquilo que temos hoje. 

 

Todavia, atribuir o fim do rock às inevitáveis mortes dos artistas que moldaram o estilo, na minha opinião, é algo bastante questionável. Vamos aos fatos... Quais são as grandes bandas que lotam estádios nos dias de hoje?

 

Falando de som com mais peso temos Iron Maiden, Metallica, Megadeth, Slayer, Anthrax, Accept, Slipknot, System Of A Down, Soundgarden, Alice In Chains... Ainda temos nomes como Phil Anselmo capitaneando bons projetos musicais... Uma banda que vem se destacando fortemente e arregimentando fãs de todas as idades mundo a fora é o Foo Fighters.

 

Na cena brazuka podemos destacar Sepultura e Krisium mostrando ao mundo o potencial do metal nacional.

 

Pensando num som mais soft temos U2, Pearl Jam, Coldpaly, Muse...

 

E além disto tudo, temos uma série de outros excelentes projetos musicais se consolidando. Mastodon e Ghost são dois bons exemplos de bandas que, além de terem um som bastante consistente, estão fazendo algo novo dentro do metal.

 

Gosto muito de destacar o som que vem da Suécia. Recentemente vi uma apresentação do Opeth... Sensacional!!!! Os caras são músicos de grande calibre e tem certamente uma longa estrada pela frente. E outra banda sueca bastante expressiva é o Graveyard; eles também são novos na cena, mas os caras tem gravado bons discos e seu som já é bem reconhecido mundo afora, inclusive no Brasil.

 

Outro fato bastante positivo é o surgimento de uma série de grupos musicais que fazem um som que nos remete fortemente à década de 1970. Rival Sons é certamente uma banda que representa muito bem este "novo" segmento. Mas não ficamos por ai não... Blues Pills, Vintage Caravan, Crobot e Kadavar são outros bons exemplos de uma galera nova que está colocando combustível de excelente octanagem nos motores do bom e velho rock and roll.

 

Quero salientar que fui raso na listagem dos nomes. Tenho certeza absoluta que muitos de meus amigos rockeiros poderão engrossar esta lista de novos expoentes, corroborando com minha tese de que o rock ainda tem muita lenha prá queimar.

 

Por certo que as coisas estão mudando. E vão mudar ainda mais. Fico imaginando o mundo do rock sem nomes como Robert Plant, Jimmy Page, Ozzy Osbourne, Ian Gillan, David Gilmour, Roger Waters, Paul MacCartney, Roger Daltrey, Brian May, Tony Iommy, Ritchie Blackmore, Geddy Lee, Mick Jagger, Keith Richards ... E tantos outros dinossauros... Jamais ouviremos rock da mesma forma no dia que estes caras já não estiveram mais na Terra.

 

Mas o que eles criaram, o enorme legado que eles deixarão para a posteridade... Ah... Certamente, tudo isto servirá de eterna fonte de inspiração para os que virão depois.

 

O que me conforta é que ainda temos bandas como Iron Maiden, Metallica, Accept e Judas Priest, cujos integrantes estão numa faixa etária que ainda permite alguns bons anos de estrada. Estes caras, por algum tempo, assumirão os atuais postos de Black Sabbath e Led Zeppelin como Deuses do Rock.

 

Por fim, fico imaginando um festival do tipo Monsters Of Rock daqui a 20 anos, onde possivelmente teremos um James Hetfield na casa dos 70 anos, capitaneando o festival como headliner absoluto. E quem estará na esteira deles, assumindo seus postos?

 

Espero estar aqui prá assistir este espetáculo.

 

Um forte abraço e até a próxima.

 

Betão Star Trips.

 

 

 

 

 

 

Please reload

Featured Posts

BANDA INGLESA "JAMES" FAZ SHOW SENSACIONAL NA TORRE DE BELÉM

September 9, 2019

1/10
Please reload

Recent Posts
Please reload

Archive