BLACK SABBATH E CHUVA LAVAM A ALMA DOS PAULISTANOS

December 8, 2016

O show no Estádio do Morumbi, no dia 4 de dezembro de 2016, encerrou a perna brasileira da The End Tour.

 

Essa foi, certamente, a última possibilidade de ver o Sabbath tocando em terras brasileiras. Apesar de haver notícias e indícios de que os "velhinhos" ainda planejam algumas coisas, grandes turnês ao redor do mundo, muito provavelmente, estão descartadas.

 

 

 

CONSIDERAÇÕES DE UM FÃ

 

Primeiramente, gostaria de manifestar que nada do que está sendo dito aqui é algo extremamente inusitado ou que já não possa estar escrito em tantas e tantas resenhas de shows do Black Sabbath. Desta forma, quero salientar que o presente texto nada mais é do que o relato de um fã apaixonado pela banda.

 

Eu tinha nove anos de idade quando ouvi Black Sabbath pela primeira vez. Foi o disco Sabbath Bloody Sabbath, que era do meu irmão. Eu era vidrado por este disco (aliás, sou até hoje) e o ouvia com muita frequência. Não me lembro exatamente por qual razão, mas o disco estava em péssimo estado, com muitos arranhões e sua capa também não estava boa. Desta forma, algum tempo depois, comprei outro exemplar do disco.

 

Este foi o primeiro da minha coleção de discos de vinil, sendo que o tenho até hoje, como vocês podem comprovar na foto ao lado (notem meu fiel cachorro Paçoca, que sempre me acompanha nas minhas audições vinílicas).

 

 

 

O SHOW

 

Bom meus caros amigos... Quem curte heavy metal e não foi neste show perdeu um dos maiores espetáculos da face da terra. Apesar de estarem se aproximando dos 70 anos (Geezer com 67; Iommi e Ozzy com 68), os caras ainda estão mandando muito bem.

 

Geezer Butler e Tony Iommi estão tocando como nunca. Assim como um bom vinho, a idade está fazendo muito bem para eles, pois a técnica está cada vez mais apurada, fazendo com que o desempenho de ambos permaneça sempre acima do normal.

 

Ozzy é um caso a parte. Os conhecidos excessos se fazem presentes em alguns momentos. Mas, levando-se seu histórico em consideração, o cara continua sendo um dos maiores entertainers do mundo do rock. Seu carisma continua inabalado.

 

O problema dele é seu alcance vocal, pois em algumas canções fica notório que ele já não está dando conta de cantar no mesmo tom de outrora. Mas sendo bem sincero, eu e os quase 70 mil fãs que compareceram ao show, estavam pouco se fodendo para a performance vocal menos apurada do sujeito... Nós estávamos diante do Mad Man... do louco... do ensandecido Ozzy Osbourne... Certamente o mais emblemático cantor de heavy metal que este planeta já viu (sei que há alguns outros cantores que podem muito bem ser enquadrados nesta categoria... mas eu sou um fã ardoroso de Ozzy).

 

Falemos agora de Tommy Clufetos. Um baterista de apenas 36 anos e que incorporou como ninguém a pegada de Bill Ward. Aliás, até o visual dele estava parecido. 

 

É lógico que seria um sonho ter Bill Ward junto com os demais integrantes originais do Sabbath. Mas, sejamos sinceros e justos. Ele não iria dar conta do recado. As músicas do Black Sabbath envolvem, via de regra, uma bateria muito pesada, forte e encorpada. Tem que ter "punch". E o velho Bill por certo que iria sentir sobremaneira o peso do tempo.

 

E é ai que entra o vigor físico de Clufetos. Aliada à técnica, este fator tem feito a diferença em todas as apresentações que o Black Sabbath vem fazendo mundo afora. Além de tocar muito bem, a potência com a qual ele desfere os golpes na batera é muito marcante. E como citei acima, a música do Black Sabbath pede isso.

 

E todos ficaram enlouquecidos com o solo de bateria que Tommy Clufetos fez. Foram mais de seis minutos, onde o americano esbanjou talento, técnica, força e presença de palco invejáveis. Dificilmente um solo de bateria prende a atenção da audiência por tanto tempo.

 

 

 

SETLIST

 

O setlist de uma banda do calibre do Black Sabbath jamais será irretocável. Para sê-lo, haveria necessidade de um show de quatro horas de duração. 


Desta forma, dentro do possível, o setlist do show foi memorável. Entretanto, como já deixei claro, o Sabbath Bloody Sabbath é um dos meus discos preferidos e, por esta razão, para mim foi um pouco frustrante eles não terem performado pelo menos uma música deste disco. Tenho certeza absoluta de que cada um que lá estava deve ter sentido falta de alguma das tantas músicas da fase Ozzy.

 

Uma crítica que todos fizeram foi com relação à duração do show. Pouco mais de uma hora e trinta minutos. Certamente que é muito curto. Com isto, os caras tocaram apenas treze músicas, as quais estão devidamente relacionadas abaixo:

 

1 - Black Sabbath

2 - Fairies Wear Boots

3 - After Forever

4 - Into the Void

5 - Snowblind

6 - War Pigs

7 - Behind the Wall of Sleep

8 - N.I.B.

9 - Rat Salad

10 - Iron Man

11 - Dirty Women

12 - Children of the Grave

BIS:

13 - Paranoid

 

Um ponto super positivo a ser destacado foi a inclusão de alguns "lado B" bem interessantes, tais quais After Forever (Master Of Reality), Rat Salad (Paranoid) e Dirty Women (Technical Ecstasy). Estas músicas deram um tempero mais do que especial ao show.

 

 

 

BANDAS DE ABERTURA

 

DOCTOR PHEABES: Com um setlist bem curto (apenas sete músicas), os paulistanos do Doctor Pheabes foram os primeiros a abrir os trabalhos musicais no Morumbi. Apesar de já ter participado duas vezes do Monsters Of Rock (2013 e 2015), do Lollapalooza (2015) e de ter feito shows de abertura para Guns N' Roses (2014) e Rolling Stones (2016), muita gente ainda não conhece a música desta banda. 

 

Com um som calcado no hard rock tradicional, os caras buscam sempre fazer um som alegre e descontraído. Eles tem apenas um disco - Seventy Dogs - o qual foi lançado de forma independente no ano de 2013.

 

Não dá para dizer que a galera ficou empolgada com a apresentação do Doctor Pheabes, mas acabou sendo um bom aperitivo.

 

 

RIVAL SONS: Da mesma forma que os paulistanos, a moçada do Rival Sons também ainda tem poucos (porém ardorosos) fãs em terras brasileiras; e eu sou certamente um destes fãs.

 

Se você ainda não conhece o som da banda, sugiro ouvir o podcast Pílulas de Rock Edição nº 21 - CLIQUE AQUI - onde apresentamos um pouco da história e características dos caras e também uma trilha musical de tirar o fôlego, a qual engloba músicas dos quatro primeiros trabalhos (eles acabaram de lançar um novo álbum). 

 

Em 2015, o Rival Sons já havia participado do Monsters Of Rock e deixou os headbangers de queixo caído. Com um som altamente "lisérgico", os caras transpiram a década de 1970 - hard e blues fazem parte de suas influências musicais. Todos os músicos são sensacionais, mas o destaque aqui vai para o vocalista Jay Buchanan, que mais uma vez detonou com seu vocal lancinante, um misto de Robert Plant e Janis Joplin.

 

Setlist curtíssimo com apenas sete músicas. Já está mais do que na hora da banda baixar por aqui para um show como banda principal.

 

 

 

VÍDEO DA ABERTURA DO SHOW


Para finalizar esta resenha, compartilho com vocês o vídeo da abertura do show, o qual fiz com meu aparelho celular, razão pela qual sua qualidade não é boa. Vale ressaltar também que durante boa parte do show São Pedro não deu trégua e mandou uma água lascada, razão pela qual parei de tirar fotos e de fazer filmagens.

 

 

 

É isto Galera do Rock!

 

Me despeço com um forte abraxxx.

 

Até a próxima.

 

Betão Star Trips.

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