SOLID ROCK - SÃO PAULO - 13 DEZ 2017 - DEEP PURPLE EM APRESENTAÇÃO SENSACIONAL

December 15, 2017

Já faz algum tempo... alguns meses... que começou rolar um boato da vinda de três grandes bandas para um festival no Brasil... seriam elas Deep Purple, Lynyrd Skynyrd e ZZTOP... 

 

"Caramba" pensei eu... Três bandas maravilhosas, as quais eu nunca vi ao vivo, tocando juntas num festival e num mesmo dia... sonho total...

 

Passou-se mais algum tempo e o boato se confirmou... porém, em partes. Das três bandas mencionadas, tivemos confirmação de Deep Purple e Lynyrd Skynyrd; o ZZTOP sumiu da parada e em seu lugar foi anunciado o Tesla. E assim estava configurado o lineup do SOLID ROCK.

 

Mesmo sem o ZZTOP fiquei muito empolgado para participar desde festival, afinal, ainda teríamos a presença de dois grandes e importantes dinossauros da cena rock mundial. Assim sendo, logo no primeiro dia da abertura de venda dos ingressos, eu garanti o meu (isso ocorreu no mês de maio). 

 

Pois bem meus amigos, no início de novembro veio a bomba; devido a problemas de saúde da filha do vocalista do Lynyrd Skynyrd, Johnny Van Zant, a banda cancelou todos os shows programados até então, inclusive a participação no SOLID ROCK. E em seu lugar, foi confirmada a vinda do Cheap Trick.

 

Muita gente acabou se desestimulando para ver o show. Afinal, apesar do Deep Purple ser uma banda espetacular, os ingleses já haviam se apresentado no Brasil uma pancada de vezes; ou seja, muitos rockeiros de carteirinha já viram Deep Purple pelo menos uma vez na vida (eu era uma exceção). 

 

Sei de muita gente que havia se interessado pelo festival única e exclusivamente por conta do Lynyrd Skynyrd e que consideravam a presença do Deep Purple como um "plus" (Porra!!!! Que plus!!!).

 

Contei toda esta história no sentido de justificar o esvaziamento do festival, principalmente com relação aos dois primeiros shows.

 

 

TESLA

 

Apesar de ser um grupo com músicos muito competentes, o Tesla é uma banda pouco cultuada no Brasil. Seu público forte está mesmo nos Estados Unidos. Resultado: o show começou cedo (por volta das 18:30) com um Allianz Parque tomado pelo vazio. A Pista Premium tinha uma parca aglomeração em frente ao palco; na Pista Normal o time do Palmeiras poderia até fazer um treino; e as Arquibancadas com muitos lugares sobrando.

 

O Tesla fez a sua parte; um show competente e até certo ponto empolgante. O som não estava dos mais altos (como de costume para bandas de abertura); mas isto foi até certo ponto uma boa estratégia, na medida em que não havia muito eco decorrente do pouco público.

 

 

CHEAP TRICK

 

Por volta das 20:00 horas, Rick Nielsen, Robin Zander (foto), Tom Petersson e Daxx Nielsen subiram ao palco do SOLID ROCK e performaram um rock muito caloroso e competente, mostrando aos presentes no Allianz Parque (a essa altura, em número um pouco maior) que o Cheap Trick é uma excelente banda e que vieram ao Brasil não apenas substituir o Lynyrd Skynyrd, mas sim, tentar cativar um público novo. 

 

E fizeram bonito! Tocaram por volta de uma hora e meia com muita energia e empolgação. E conseguiram agitar a galera presente no festival. O único defeito do show, e que certamente não era culpa deles, foi o som. 

 

Como uma das atrações principais, o volume foi turbinado. Entretanto, devido a não ter ainda a casa cheia, o efeito "eco" foi bastante desagradável; pelo menos para aqueles que se encontravam na arquibancada; mas mesmo assim, deu para perceber que o Cheap Trick é um grupo musical bastante consistente e que tem uma forte presença de palco, sendo uma excelente opção quando o tema dos festivais for Rock de Arena; eles certamente conseguiram agitar a galera.

 

 

STEVE MORSE - MULTI-HOMEM

 

 

Um dos meus desenhos animados preferidos na minha infância era "OS IMPOSSÍVEIS". Trata-se de uma das tantas séries de desenhos animados produzidas nas décadas de 1960 e 1970 pelos Estúdios Hanna-Barbera. 

 

E neste desenho, os personagens principais eram três integrantes de uma banda de rock, os quais, nas horas vagas se transformavam em super heróis e combatiam os tipos mais inusitados de bandidos.

 

Um destes super heróis era o "MULTI-HOMEM" que tinha como super poder a capacidade de se multiplicar. 

 

Resolvi fazer esta analogia depois que vi uma das tantas fotos (muito ruins em sua grande maioria) que tirei durante o show. E tal foto retratava Steve Morse em primeiro plano com sua imagem replicada nos telões, dando a nítida impressão de que ele estava se multiplicando, tal qual o Multi-Homem da série animada citada acima.

 

Entretanto, outra razão para que eu buscasse esta analogia foi o fato do som maravilhoso que Steve Morse extrai de suas guitarras... Durante o show, entre um solo aqui, uma performance ali, a impressão que eu tinha era que haviam vários guitarristas tocando ao mesmo tempo.

 

Enfim, a sensação de estar diante de um "multi-homem" ou um "multi-guitarrista" ficou na minha cabeça tanto pelo som maravilhoso que ecoava no Allianz Parque, quanto pelas imagens capturadas através do telão.

 

Steve Morse entrou no Deep Purple em 1994, após a saída repentina de Ritchie Blackmore. Ou seja, o sujeito deve ter encarado um belo desafio, na medida em que adentrou numa banda já consagrada e que tinha na figura de Blackmore não apenas um dos fundadores da banda, mas também um dos mais aclamados guitarristas do rock de todos os tempos.

 

Eu já vi diversos shows em vídeo onde Steve Morse atua como membro oficial do Deep Purple; e em todas estas ocasiões, sempre fiquei impressionado com sua performance. Vale lembrar que Morse fez parte de um dos grandes grupos de Jazz Fusion de todos os tempos, a saber o Dixie Dregs; ou seja, currículo o sujeito tem de sobra.

 

Agora... outra coisa totalmente diferente é ver o cara tocando ao vivo... perceber o som de sua guitarra rasgando o ar e chegando aos seus ouvidos e fazendo você delirar... esta sensação eu pude conferir neste show do dia 13 de dezembro, no Allianz Parque... e posso dizer, sem sombra de dúvida, que Steve Morse é com certeza um dos melhores guitarristas da atualidade.

 

 

DON AIREY

 

Outro excelente músico que adentrou ao Deep Purple (mais uma vez como sucedâneo de um dos membros fundadores da banda e mais... um dos mais aclamados tecladistas de todos os tempos - estamos falando obviamente de Jon Lord), esta pessoa foi Don Airey.

 

Tal qual Steve Morse, Don Airey tem um currículo invejável, tendo tocado com os grandes nomes do rock mundial.

 

Mas, tal qual seu companheiro na guitarra, a tarefa de Don Airey tendo que substituir Jon Lord também não deve ter sido fácil. Entretanto, o sujeito também é um mestre e tem proporcionado verdadeiras aulas de teclado ao performar com maestria os grandes e notórios sucessos do Deep Purple.

 

Com relação a Roger Glover, Ian Gillan e Ian Paice... bom meus amigos... falar o que? Figuras memoráveis e extremamente talentosas do rock mundial, com certeza!!!!

 

Ian Gillan aprendeu a conviver com a idade mais avançada e tem modulado sua potente voz a aquilo que consegue fazer, respeitando a ação do tempo. E o resultado não poderia ser melhor. Certamente que seus agudos lancinantes do passado fazem falta. Todavia, os mesmos foram substituídos pela voz temperada e cheia de swing do bom e velho Gillan.

 

Paice continua a fazer jus ao posto de grandes bateristas de todos os tempos. E Glover, com sua figura bonachona e alegre, completa o time de estrelas absolutas do Deep Purple, dedilhando seu baixo com a técnica apurada adquirida ao longo de quase 50 anos de estrada. Ou seja, não tem como não sair coisas boas das mãos destes verdadeiros mestres da cozinha rockeira.

 

 

SETLIST

 

Aqui está uma das poucas críticas que me arrisco a fazer com relação ao show deste dia 13 de dezembro no Allianz Parque... o setlist curto.

 

Os caras subiram no palco por volta das 22:00 horas e tocaram por volta de pouco mais de uma hora e meia; muito pouco em se tratando de uma banda que tem em seu currículo 20 álbuns gravados (entre estúdio e ao vivo). Um show de 2 horas seria extremamente válido e louvável.

 

Outra pequena crítica é com relação ao fato deles terem colocado no setlist apenas uma única canção do mais recente álbum INFINITE (eles tocaram Birds Of Prey); ouvi este trabalho do Purple de cabo a rabo e creio que daria para incluir pelo menos mais uma canção do disco... eu sugeriria One Night In Vegas, que é uma música muito banana e que certamente animaria a galera.

 

Finalizo esta minha resenha divulgando o setlist completo do show e aproveito a ocasião para desejar a todos os amigos do Star Trips um excelente Natal e um ano de 2018 repleto de sucessos e realizações e com muito rock n'roll.

 

Forte abraço a todos.

 

Betão Star Trips.

 

 

 

SETLIST DO SHOW:

 

 

1. Highway Star

 

2. Pictures of Home

 

3. Bloodsucker

 

4. Strange Kind of Woman

 

5. Uncommon Man (dedicated to Jon Lord)

 

6. Lazy

 

7. Birds of Prey

 

8. Knocking at Your Back Door

 

9. Keyboard Solo

 

10. Perfect Strangers

 

11. Space Truckin

 

12. Smoke On The Water

 

BIS:

 

13. Peter Gunn Theme

 

14. Hush

 

15. Black Night

 

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