EDITORIAL DE FINAL DE ANO - 2017... UM ANO PARA SER ESQUECIDO?

December 20, 2017

Este, definitivamente, foi um ano difícil. Em todos os sentidos e em todos os aspectos. Pelo menos no que diz respeito à minha pessoa.

 

Com relação ao Star Trips, em várias ocasiões durante o ano cheguei a pensar em jogar a toalha e em desistir de escrever as minhas matérias e elaborar meus podcasts.

 

O Star Trips não é uma atividade que desenvolvo profissionalmente (bem que eu gostaria que isto ocorresse). Trata-se puramente de um hobby. Algo que faço nas horas de folga; porém, faço com muito carinho, amor e determinação. E fazendo uma autocrítica, concluo que o resultado tem sido muito bom. Os parcos feedbacks que recebo são invariavelmente elogiosos.

 

Voltando no tempo... lá no ano de 1998, quando surgiu a oportunidade de apresentar um programa de rock numa rádio comunitária aqui de São Paulo, foi tudo muito mágico e excitante. Ter a chance de elaborar uma programação de rock de três horas e poder tocar tudo aquilo que eu quisesse, tocar o lado B dos discos, apresentar bandas novas, fazer tudo de forma diferente daquilo que eu ouvia nas rádios comerciais... tudo isso era um sonho para mim.

 

Voltando mais ainda no tempo, quando eu era bem moleque mesmo... sete, oito anos de idade. Nesta época eu já tinha minhas paixões... Uma delas era a Fátima, filha de Dona Alice e de Seu Costa, um casal de portugueses que morava na mesma rua que eu. Fátima era lourinha e muito bonitinha. E eu, na minha inocência de criança, sabia que gostava dela, mas não sabia muito bem o que fazer com aquele sentimento.

 

Outra paixão que eu alimentava era o rádio. Adorava ouvir rádio. Peguei este gosto, certamente, por conta de minha mãe. Uma das lembranças mais longínquas que tenho é a imagem constante de minha mãe andando pela casa, desempenhando suas tarefas do lar, sempre com o rádio ligado. Por conta disso, o rádio passou a ser algo bem importante para mim. Tive vários radinhos de pilha e andava com eles para cima e para baixo. E, ao me tornar adolescente, mantive o hábito. Levava o rádio até para o banheiro... dormia ouvindo rádio... uma doideira...

 

A minha outra paixão de criança era a música. Adorava ouvir música. Desde sempre, lembro-me de termos uma vitrolinha em casa. Meu pai e meus irmãos mais velhos gostavam de música... e de música boa! Uma das minhas brincadeiras prediletas era fingir que eu era um locutor de rádio. Pegava a vitrolinha e todos os discos que haviam em casa e ficava horas no meu quarto, apresentando as músicas, falando sobre as bandas (pegava as informações que estavam escritas nas capas e nos encartes dos discos) e inventando comerciais sobre os “patrocinadores” do programa.

 

Por conta disso tudo, outra paixão que desenvolvi foi pelos discos de vinil. Desde bem cedo comecei minha coleção. Meu primeiro disco foi o "Sabbath Bloody Sabbath", do "Black Sabbath". Tenho este disco até hoje... aliás, mantive minha coleção e continuo a ouvi-los regularmente.

 

Muito bem, continuando nesta retrospectiva, um belo dia eu me descobri “rockeiro”... é... eu era um rockeiro... sempre fora... mas não tinha consciência disso.

 

Foi através de uma conversa besta com meu irmão Celso que eu me apropriei desta minha condição de rockeiro. E hoje é muito claro para mim que desde sempre eu gostava de rock, mesmo sem ter esta consciência.

 

Falo isto por conta das lembranças que tenho a respeito das minhas constantes audições de discos. Eu ouvia tudo que tinha em casa (inclusive o disco do "Agnaldo Timóteo" que uma empregada esqueceu em casa); desde os discos de música clássica e de jazz até um disco com músicas de "Chiquinha Gonzaga" que eram do meu pai; passando, felizmente, por discos dos meus irmãos, tais quais "Creedence Clearwater Revival", "Stevie Wonder", "Bee Gees", "Roberto Carlos", "Johnny Rivers", "Uriah Heep" e tantos outros. E ressalto novamente a minha tenra idade. Eu ouvia tudo isto ainda quando tinha sete, oito, nove anos de idade. E os discos que eu mais gostava eram certamente os de rock.

 

Avançando um pouco mais, me lembro de um amigo da 5ª série ginasial. Seu nome era Sergio Wellichen. E o Sergio, tal qual a mim, também gostava de música e também tinha irmãos mais velhos e que tinham muitos discos. Foi o Sergio que me apresentou, por exemplo, o "The Dark Side Of The Moon" e mais um monte de discos de bandas de rock. Um disco que eu sempre pedia para ele tocar era aquele álbum ao vivo do "Slade" (Slade Alive!)... era sensacional!

 

Lá pelos meus 13 anos de idade, a onda da Disco Music assolou o Brasil e nestes tempos eu acabei me rendendo ao estilo. Ouvi muito de “disco” e “funk” music nesta época. “Earth, Wind And Fire”, “Chic”, “Michael Zager Band”, “Sisters Sledge”, “Boney M.”, “Roberta Flack”, “Giorgio Moroder” (um dos pioneiros da música eletrônica), “Jackson Five” e posteriormente “Michael Jackson”... ah... “Village People”... sim meus caros... a música “Macho Man” fez parte da minha formação musical... nem tudo é perfeito...

 

Mas voltando à conversa que tive com meu irmão (sobre o fato de eu sempre ter sido um amante do rock); eu devia ter 14 anos quando rolou esta conversa... sim, pois lembro que eu estava terminando o curso ginasial e ia adentrar no ensino colegial (atual ensino médio).

 

Muito bem! Eu e meu irmão estávamos conversando sobre música e eu não me lembro exatamente qual a razão deste assunto ter surgido. E num determinado ponto da conversa ele me perguntou que tipo de música eu gostava; e me lembro bem da minha resposta; eu não disse exatamente qual era o tipo de música que eu gostava, mas citei algumas bandas que eu ouvia constantemente; dentre elas citei "Black Sabbath", "Uriah Heep" e "Pink Floyd". E foi então que ele soltou a seguinte afirmação de forma bastante efusiva: “Então você gosta de rock! Você é um rockeiro!”

 

Parece algo bobo, mas neste exato momento algo mudou em mim. Não se explicar bem. Mas esta afirmação de meu irmão, atestando eu era um rockeiro, naquele exato momento me transformou. Imediatamente eu me apropriei desta consciência e falei em alto e bom som “é mesmo, eu sou um rockeiro”. A partir deste momento, eu me assumi um rockeiro.

 

Passei então a consumir apenas rock. Já não queria saber de mais nenhum tipo de som. Apenas rock n’roll. Sempre que me sobrava uma grana eu comprava um disco. E assim comecei minha coleção. Mas como não dispunha de muita grana para comprar muitos discos, ficava horas rodando o dial do rádio em busca de novas músicas... era o que eu podia fazer para aumentar o meu conhecimento musical.

 

Foi assim que descobri as poucas rádios que rolavam alguma coisa de rock naquela época. Peguei o finalzinho da "Excelsior FM" e também da "Rádio Difusora". A "Rádio Bandeirantes" também tocava alguns poucos rocks; porém, um dia descobri um programa da emissora (acho que era na "Rádio Bandeirantes"... ou talvez fosse na "Eldorado" ou então "Rádio USP") que se chamava "Rádio Pirata" e que era sensacional; acho que o programa ia ao ar aos sábados no comecinho da noite. Foi neste programa que eu ouvi "Smoke On The Water" pela primeira vez; e foi através do "Rádio Pirata" que conheci a música de "Frank Zappa".

 

Mas foi em 1983 que a redenção ocorreu para o público rockeiro de São Paulo. E este fato que vou narrar a partir de agora deve ter ocorrido não apenas comigo, mas com outros tantos aficionados por rock e heavy metal nesta mesma época.

 

Como relatei mais acima, quando estava em casa, eu vivia rodando o dial do rádio buscando ouvir rock n’roll. Quando encontrava alguma rádio tocando um rock era uma doideira. Parecia um garimpeiro achando uma pepita de ouro ou uma pedra preciosa.

 

Não consigo precisar nem ao menos o mês, mas em algum momento do ano de 1983, estava eu nas minhas buscas musicais quando de repente, numa frequência pouco provável (97,7 MHz), ouvi um rock tocando; não me pergunte que música era, pois eu não lembro; mas era rock e devia ser dos bons. Para meu delírio, findada a música, outro rock começou a tocar... o fato se repetiu mais uma vez... e mais outra... e outra... e outra...

 

Não me lembro quantos sons rolaram em sequência, mas foi uma música melhor do que a outra. E mais, sons que eu nunca tinha ouvido na vida, com guitarras e baterias insanas. E num determinado momento entrou uma vinheta anunciando que aquela era uma transmissão experimental da mais nova FM de São Paulo (de Santo André, na verdade); era a "97 FM", a primeira emissora com programação inteiramente rock do FM paulista. A notícia se espalhou entre os rockeiros e logo todo mundo delirava com a programação da rádio. Foi algo realmente muito bacana.

 

Enfim, depois vieram a "89" e a "Brasil 2000" e mais recentemente a "KISS"... o resto é história...

 

Por tudo o que escrevi até agora já deu para sacar que, no momento em que surgiu a oportunidade de fazer o programa de rádio, eu juntei todas as minhas antigas paixões (menos a Fátima) tudo numa coisa só, qual seja o próprio programa de rádio.

 

Já que resolvi abrir este baú, vale contar aqui como surgiu o Star Trips (no site tem a história completa, mas vou fazer um breve resumo aqui também).

 

Não consigo me lembrar as datas, mas era certamente algum dos meses finais do ano de 1998. O dia era um domingo. Sol e calor. Eu e mais uma pancada de amigos estávamos reunidos num churrasco; e certamente, estávamos todos com certa quantidade de cerveja na cuca.

 

Meu grande amigo Germano, há uma certa altura da festa, veio até mim e me perguntou se eu estava afim de apresentar um programa de rock na rádio comunitária que era de propriedade de seu sogro. E ele já emendou o convite dizendo que o programa já tinha nome e música de abertura; seria o STAR TRIPS e a música de abertura seria "Journey to the Centre of the Earth" de "Rick Wakeman".

 

Nem preciso falar que topei na hora. E de cara já agendamos uma visita na rádio para a quarta-feira da semana seguinte, para conhecer a estrutura e os equipamentos.

 

Algo interessante que ocorreu na manhã do dia seguinte (uma segunda-feira). Eu estava no meu trabalho quando me chamaram ao telefone. E quem estava do outro lado da linha? Germano, ele mesmo, com uma voz de ressaca braba, me indagando se eu realmente tinha topado o convite para fazer o programa de rádio. E eu fui muito taxativo ao responder prontamente que sim e ao lhe questionar qual era a razão de sua dúvida; ao passo que ele me respondeu rindo “sei lá Betão, ontem a gente tava bêbado, porra”... cai na gargalhada também...

 

Enfim, o Star Trips foi ao ar pela primeira vez já no domingo seguinte, inicialmente no período da manhã. Porém, algumas semanas depois, mudamos para o período da noite, sendo apresentado todos os domingos, das 19 às 22 horas.

 

Como eu disse, a história completa está devidamente relatada no nosso site (se tiver curiosidade, clique aqui e leia). Assim sendo, não vou me estender mais com relação a isto. Resolvi contar esta breve passagem apenas para contextualizar.

 

Na verdade, estou relatando todos estes fatos no sentido de mostrar a vocês qual é a real importância do Star Trips para mim. E que, apesar de ser algo que faço como um hobby e que não me gera nenhum ganho financeiro, por trás desta brincadeira tem uma vida toda de admiração à arte musical e aos meios de comunicação que sempre me proporcionaram de forma mágica os conhecimentos sobre este fantástico mundo do rock.

 

Carrego comigo um pouco de mágoa por não ter conseguido enxergar em mim, na época em que estava decidindo os meus rumos profissionais, esta aptidão para desempenhar atividades ligadas ao rádio e ao jornalismo; e de não ter dado bola para o fato de eu ser uma pessoa com habilidades muito interessantes no tocante à capacidade de conhecer e reconhecer música, de sacar elementos musicais que poucos entendem e de saber falar sobre música de forma clara e abrangente.

 

Fico me perguntando "se eu tivesse seguido por esses caminhos onde eu estaria atualmente?”... "Teria me tornado um grande e reconhecido jornalista musical?"... "Faria parte da seleta confraria que movimenta o mundo do rock no Brasil, tendo acesso a tudo que é relativo a este fantástico mundo artístico que eu tanto admiro?"

 

Enfim, não tenho resposta para nenhuma destas perguntas.

 

O que tenho concretamente em minhas mãos é o Star Trips e o meu desejo de falar sobre rock. Algo que ajudei a criar e que passado algum tempo virou meu. Algo que eu moldei do jeito que eu queria; que eu fiz crescer e que está registrado na memória musical de alguns amigos; e que está registrado nas ondas digitais da internet, nos bits e bytes do mundo cibernético, através das coisas que escrevo e das locuções que faço... e que podem ser lidas e ouvidas a qualquer tempo, por qualquer um, em qualquer lugar do mundo.

 

Isto tudo se tornou muito caro para mim; e quando digo “caro” é no sentido de algo muito valoroso em termos de alma e sentimentos.

 

Assim sendo, caro leitor, se você chegou até aqui, saiba que fico muito feliz. Pois você conheceu um lado do Star Trips que poucos conhecem e dão valor.

 

E neste ponto, eu volto bem lá no início desta conversa quando falei que 2017 foi um ano difícil e que “em várias ocasiões durante o ano cheguei a pensar em jogar a toalha e em desistir de escrever as minhas matérias e elaborar meus podcasts”.

 

Uma das dificuldades que tive foi justamente com relação aos meus questionamentos sobre minha carreira profissional e tudo que eu poderia ter feito e não fiz... sobre os caminhos que trilhei e sobre os caminhos que eu poderia ter trilhado... e sobre a energia que eu coloco ao manter o Star Trips vivo por tanto tempo.

 

E finalmente me pergunto se realmente vale a pena dedicar tanto tempo escrevendo matérias e criando podcasts para mostrar ao público o valor artístico que o rock tem no nosso mundo, sendo que quase ninguém lê ou ouve tudo isto que eu faço.

 

E a resposta para esta pergunta é “sim, vale a pena dedicar tanto tempo para manter a chama do Star Trips acesa”. Vale a pena porque o grande beneficiado por tudo isso sou eu mesmo. Já há algum tempo eu me dei conta de que eu faço o Star Trips para mim mesmo. Para alimentar a minha alma artística.

 

Sendo assim, independente se serei lido ou ouvido por outros, isto não é o que mais importa. O que vale é a minha satisfação pessoal ao ler um belo texto que fiz contando a história de um show ou de uma banda. Ao ouvir as considerações extremamente pertinentes que fiz a respeito de um determinado artista ou grupo de artistas. Invariavelmente, sempre que me ouço nos meus podcasts ou  leio as minhas matérias, fico orgulhoso de meu trabalho.

 

Logicamente, não sou hipócrita ao ponto de afirmar que estou pouco me lixando se serei lido ou ouvido. Não é nada disso. Seria maravilhoso para mim ter uma horda de seguidores e fãs que enxergassem o Star Trips como um portal definitivo do rock, que ouvissem os meus podcasts ou lessem meus textos e saíssem todos compartilhando com os amigos em suas redes sociais.

 

Eu quero ser relevante, quero ser conhecido e quero que meus textos e áudios sejam replicados e compartilhados por muita gente. Mas se assim não acontece, paciência. Talvez eu esteja seguindo por um caminho que não seja do agrado da grande maioria. E não há mal nenhum nisso. É apenas o meu caminho. E neste sentido, continuarei seguindo por este caminho, que é aquele que eu gosto e que escolhi trilhar.

 

No final das contas, respondendo à pergunta título desta postagem, a mensagem que tenho é positiva. É uma mensagem de esperança. Uma mensagem a respeito de fortalecimento frente às agruras que a vida possa ter lhe trazido. Uma mensagem que lhe diga “vai em frente... segue seu jogo... não desista... acredite em você... tudo vai dar certo... tudo vai melhorar...” 2017 pode ter sido difícil e cheio de questionamentos. Mas não nos esqueçamos de tudo que passamos. Aprendamos!

 

Eu e o Star Trips estaremos aqui em 2018, firmes e fortes, determinados a promover arte, cultura e música boa, até o final dos tempos... E espero que isto ajude a mim e a vocês a seguirmos em frente, sempre buscando os nossos melhores caminhos...

 

Um Feliz Natal a todos.

 

Forte abraço.

 

Betão Star Trips

 

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