AULA DE ROCK RURAL - Ricardo Vignini, Tavito, Guarabyra, Tuia Lencione e participação especial de Zé Geraldo

February 11, 2018

Neste dia 10 de fevereiro, em pleno carnaval, fui conferir no SESC Vila Mariana uma apresentação mais do que especial de cinco músicos fantásticos.

 

O espetáculo "Encontro de Gerações - Folk e Rock Rural" reuniu no mesmo palco nomes tradicionais do chamado "rock rural" brasileiro, tais como Tavito e Guarabyra (e ainda uma participação especial de Zé Geraldo), com nomes de uma nova geração de músicos que misturam rock com a música regional do Brasil... Estamos falando de Ricardo Vignini e Tuia Lencione.

 

Quem abriu a apresentação foi o cantor, violonista e compositor paulista Tuia Lencione, cantando uma de suas canções autorais.

 

Tuia tem sua origem no Vale do Paraíba (SP) e vem se destacando no cenário musical brasileiro por conta de sua proposta de unir rock com música caipira.

 

Na sequência, Tuia chama ao palco outro grande nome desta, por assim dizer, "nova cena rock rural brasileira", o músico, compositor, violeiro, pesquisador e produtor musical Ricardo Vignini.

 

Ricardo Vignini tem se destacado na cena musical brasileira já há bastante tempo, através de vários projetos musicais, dentre eles a banda Matuto Moderno e o duo com outro grande músico, o também violeiro Zé Helder, com o qual gravou duas edições do "Moda de Rock - Viola Extrema" (a terceira edição vem aí), projeto extremamente inovador no rock brasileiro, na medida em que os músicos tocam na viola caipira clássicos do rock e do mais pesado heavy metal mundial. Tenham certeza... este trabalho deles é sensacional e ambos os CDs devem ser conferidos na íntegra.

 

Vignini dividiu o palco com Tuia e logo em seguida performou duas de suas canções autoriais, exibindo sua técnica extremamente apurada numa maravilhosa viola de aço.

 

Após esta brilhante introdução, quem veio abrilhantar o show foi o sensacional Tavito, músico mineiro que ficou famoso na década de 1980, quando, após ter feito parte de alguns grupos musicais e de ter tocado com grandes nomes da cena musical brasileira (Milton Nascimento, Toninho Horta, Sá, Rodrix e Guarabyra, Vinícios de Morais, entre tantos outros), desenvolveu sua bem sucedida carreira solo, onde ganhou notoriedade com canções tais quais "Rua Ramalhete", "Começo, Meio e Fim" e "Naquele Tempo". 

 

Com muita simpatia e carisma, Tavito iniciou sua participação contando a história de como ele e o grande Zé Rodrix compuseram uma das maiores canções do relicário musical brasileiro, a música "Casa No Campo". Segundo ele, durante uma turnê, quando eles iriam fazer um show em Goiania, Zé Rodrix lhe apresentou a letra da canção, a qual tinha feito durante a viagem de ônibus, inspirado pelas lindas paisagens campestres do caminho. Zé Rodrix teria lhe dado a letra e pediu para Tavito musicá-la. E foi o que ele fez. Todavia, segundo o próprio, Tavito não gostou do resultado... Quem diria hein?

 

Prá encurtar a história, Tavito e Zé Rodrix acabaram participando do Festival Internacional da Canção justamente com esta música e quem estava no juri musical era a inquestionável Elis Regina, a qual adorou a canção e declarou aos autores que iria gravá-la (Tavito não teria levado esta declaração muito a sério... creio que ele deve ter achado que algo assim seria impossível de acontecer... algo assim como um sonho). No final das contas, os caras ganharam o festival e um mês e meio depois a música cantada por Elis Regina figurava em todas as emissoras de rádio do Brasil... Nada mal para uma canção que Tavito não havia se empolgado no início.

 

E foi com esta música que ele iniciou sua participação.

 

No desenrolar do show, Tavito chamou ao palco outro dos grandes nomes que compunham o cast, Guttemberg Guarabyra, ou simplesmente Guarabyra. Famoso pela parceira "Sá, Rodrix & Guarabyra), também com extrema simpatia, Guarabyra interpretou alguns de seus sucessos e acompanhou os demais companheiros com sua bela voz e com acordes de seu violão. Contou a história hilária de como ele e Flávio Venturini compuseram a música "Espanhola" e cantou a canção acompanhado de Tuia e dos demais músicos. Ponto alto do show!

 

Um dos momentos mais esperados do espetáculo ocorreu quando o convidado especial adentrou ao palco: Zé Geraldo.

 

O cara é definitivamente um mestre... um show man... mas nada de exibicionismo... o cara é a simplicidade em pessoa e tem um carisma fortíssimo.

 

E a sua veia rock n'roll aflorou num dos pontos altos do show, onde ele e Ricardo Vignini performaram a versão de "Hey Joe" (Hendrix) que Zé Geraldo compôs.

 

Nesta versão, que ganhou o nome de "Hey Zé", Ze Geraldo fala de um cara armado de um "três oitão", pronto para matar sua amada traidora. Todavia, contrariando a versão original, o objetivo do suposto interlocutor era a de fazer com que o cara desistisse de seu intento criminoso e não matasse a moça.

 

Além da brilhante interpretação de Zé Geraldo, a performance de Ricardo Vignini em sua viola prateada foi espetacular... Hendrix se renderia a ele, certamente!

 

Um lance mais do que especial, que ocorreu várias vezes durante o show, foi a reverência que os medalhões fizeram aos pupilos, destacando a importância do caminho que eles estão trilhando, na medida em que eles estão seguindo os passos já percorridos pelos mestres de forma tão brilhante.

 

 

No final, depois de aproximadamente duas horas de espetáculo, os caras ameaçaram irem embora sem o tradicional BIS... É lógico que eles iriam voltar ao palco... Entretanto, eles demoraram um pouco e parte da galera achou que aquele era mesmo o fim do show e acabou se levantando para sair... Alguns mais afoitos (e talvez inexperientes em termos de shows) acabaram indo embora mesmo.

 

Mas a grande maioria não arredou pé e ficou o tempo todo batendo palmas e pedindo "mais um". E, para delírio geral, eles voltaram numa performance maravilhosa de "Senhorita", a qual, logicamente, foi comandada pelo mestre Zé Geraldo. 

 

O "grand finale" não podia ser diferente. "Sobradinho" foi a escolhida para encerrar o espetáculo com chave de ouro. Plateia em pé, cantando em uníssono... E o tradicional "Adeus Adeus" no final deu o tom emocional da despedida, com a reverência total da plateia a este encontro especialíssimo de gerações da boa música brasileira.

 

 

 

 

 

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