STEVEN WILSON - NÃO TEVE "FESTA", MAS FOI UMA NOITE INCRÍVEL!

May 29, 2018

Salve Galera do Rock!

 

Sou o Leandro Cenati, "parça" do rock do Betão e agora o mais novo colaborador do site Star Trips.

 

Eu e o Betão estivemos no show do Steven Wilson neste último dia 27 de maio e solicitei a ele que a resenha do espetáculo fosse escrita por mim.

 

Assim sendo, a seguir vocês poderão acompanhar um pouco do que ocorreu no show através das minhas palavras.

 

Anteontem, 27 de maio de 2018, o Carioca Club, a casa de shows paulistana mais roqueira da atualidade, ficou pequena, de novo. O impressionante e talentosíssimo multi-instrumentista, Steven Wilson, desembarcou em terras tupiniquins com uma grande missão: embasbacar-nos!


Para ele, isto não requer prática nem tão pouco habilidade. Faltou gasolina pro avião? Por favor! Não tinha comida no camarim? Ah vá! Gripe? E quem pára um show por que está doente?


Porém, ele não deixou de avisar: “Ó galera, malzão aí, mas não vai ter festa aqui no palco, porque eu tô doente!”. Como era um show de Rock, ninguém pensou em levar um benegripe para o pobre Steven. Sem crise, bebe que passa, disse o público! Brincadeiras a parte, nem o fato dele estar doente, tirou o brilho da histeria coletiva que presenciamos nas quase 3 horas de show do dito cujo.

 

- Caraí, 3 horas de show? Imagina se o cara tivesse bem? Em 2013 tive a oportunidade de ver Steven no Teatro Bradesco, sem gripe, em pleno gozo de suas faculdades mentais. Naquela ocasião, nosso ídolo recente do Prog Rock moderno esbanjou carisma, energia e muito tesão no palco, o que acabou culminando em uma “enrabada” no público. Suavizando, não foi bem uma enrabada, ele falou aos presentes que se sentia numa boate, dançando freneticamente, com todo mundo encostado na parede, só olhando ele dançar. O Teatro Bradesco, para quem não conhece, possui cadeiras, o que acabou forçando o público a permanecer sentado durante o show. Beleza, problema resolvido, o público levantou e grudou no palco. Cagada da administração do show, que colocou o espetáculo naquele ambiente.

 

Já não é a primeira presepada que Steven sofre no Brasil. O primeiro show em nossas terras foi mal divulgado, resultando em um público pífio. É, mas ao que tudo indica, o inglês deve ter gostado do caloroso público latino americano, não desistindo da gente! AINDA BEM!!!!!

 

E o que dizer deste petardo psicodélico, setentista, pop, jazz fusion, prog e o adjetivo a mais que você quiser colocar neste espaço? Pontualmente, as 20hrs, com o soar do Big Ben, as luzes se apagaram e a viagem começou! Imagens com palavras foram projetadas em uma cortina à frente do palco (marca registrada de seus shows), com uma leve música antiga de fundo.

 

As imagens foram se repetindo e as palavras trocando de lugar, enquanto a música decaía, proporcionando uma forte dor abdominal e uma leve náusea, demonstrando, talvez, em minha livre interpretação, a alternância de valores de nossa sociedade. Essa foi a introdução macabra, à la Wilson, ao que viria a seguir!

 

O setlist estava a cima de qualquer reprovação, abarcando 5 clássicos do Porcupine Tree, 5 músicas do novo álbum, uma música do projeto paralelo Blackfield (com o vocalista israelita Aviv Geffen), além dos grandes sucessos da carreira solo dele. Este que vos escreve é um fã ridiculamente absurdo de Porcupine Tree, banda que considero como a melhor do século XXI, apesar de estar em recesso, devido a carreira de Steven.

 

Não preciso dizer que quase tive um treco quando os acordes dedilhados de "Arriving Somewhere But Not Here" foram ouvidos no Carioca Club. Ainda teve tempo para "Heartattack in a Layby", minha preferida do disco "In Absentia" e "Sleep Together" do maravilhoso "Fear of a Blank Planet". Da carreira solo, creio que todas tem sua relevância, porém, destaco as maravilhosas "Pariah", "Permanating" e "Song Of I", músicas que figuram no último álbum de estúdio, "To The Bone", demonstrando uma certa guinada ao Pop, que de modo algum pode ser encarado como algo ruim. Quem acompanha Steven nos últimos tempos, deve ter notado que talvez a morte do Prince o influenciou de alguma maneira, tanto espiritualmente, como artisticamente, e, neste contexto, creio que "Song Of I" tem fortes influências do guitarrista de nome impronunciável.

 

Além da psicodelia, dos momentos pop, do jazz fusion, das projeções oníricas, o que mais falta destacar? A banda sem precedentes que o acompanha. Steven já teve vários músicos tocando ao seu lado, porém, alguns o acompanham desde os primeiros discos, como o tecladista Adam Holzman (o cara só tocou com o Miles Davis, "só"), Nick Beggs, o baixista grandalhão, estilo nórdico, que toca aquele baixo "Chapman Stick", o baterista Craig Blundell e o jovem guitarrista eslovaco David Kollar (não posso precisar que era realmente ele).

 

Desta trupe de peso destaco principalmente Adam Holzman, que para mim é o grande nome da banda, que em muitos momentos me lembrou o lendário George Duke, simplesmente o tecladista mais foda que tocou com a outra lenda Frank Zappa.

 

Por falar no italianíssimo Zappa, eu não o vi e ouvi ao vivo, mas posso dizer sem medo, que Steven propiciou momentos nesta mágica noite, que em muito lembraram os tempos áureos da psicodelia sóbria de Zappa, principalmente em seu auge instrumental dos anos 70.

 

Por fim, quem viu, viu, quem não viu, com certeza terá outras chances, pois o cara curtiu vir para o Brasil, se apresentando sempre com casa cheia, ou seja, ele vai voltar!!! E que volte com coisas novas, shows novos e muita arte! E para quem ainda tem fé, quem sabe ele não volta com o Porcupine Tree? Em uma rápida conversa com os fãs na plateia, Steven talvez não tenha noção de quanto o público Brasileiro, e quiçá mundial, está ansioso por uma volta do Porcupine Tree. Oremos!!!

 

Grande Abraço,


Leandro Cenati

 

 

Setlist:


Nowhere Now
Pariah
Home Invasion
Regret #9

The Creator Has a Mastertape (Porcupine Tree song)
Refuge
People Who Eat Darkness
Ancestral
Arriving Somewhere but Not Here (Porcupine Tree song)
Permanating
Song of I
Lazarus (Porcupine Tree song)
Detonation (followed by band introductions)
The Same Asylum as Before
Heartattack in a Layby (Porcupine Tree song)
Vermillioncore
Sleep Together (Porcupine Tree song)


Encore:


Blackfield (Blackfield song)
Postcard
Harmony Korine
Song of Unborn

 

 

Os vídeos que se seguem foram feitos pelo Betão. A organização do show proibiu o registro de fotos e filmagens... Mas o Betão não resistiu a tentação e conseguiu fazer alguns registros rápidos, mas que retratam muito bem o clima especial da noite.

 

Vídeo 1 - Logo no comecinho do show... Pariah

 

Vídeo 2 - Um breve registro escondido no meio da galera...

 

 

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