UMA BREVE ANÁLISE DO ROCK E A SUÉCIA SE CONSOLIDANDO COMO O NOVO VÉRTICE DO ROCK MUNDIAL

July 26, 2018

 

Quando chegaram nas Américas, os europeus trouxeram na bagagem, entre tantas coisas, a sua rica musicalidade. Tempos depois, foi a vez dos negros africanos entoarem seus cânticos e soarem seus tambores nas terras setentrionais e meridionais do lado oeste do planeta.

 

Misturas ocorreram... E destas misturas foram surgindo novas musicalidades... Novos ritmos... Novas auras musicais. O Brasil consolidou o samba como seu principal ritmo musical. A América Central contribuiu com o mambo, a salsa e o seu mais famoso representante, o reggae. E nos Estados Unidos, quem surgiu mansinho e triste foi o blues, pai de outros estilos que foram se fundindo e se transformando... Até que, por fim, surgisse o mais avassalador dos ritmos: ROCK N' ROLL.

 

 

OS MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS

 

Desde seu surgimento nos Estados Unidos, por volta dos anos 1950, o rock foi pouco a pouco expandindo o seu território de atuação, arregimentando seguidores por todos os lugares por onde passou. Certamente que encontrou boa guarida nas terras ancestrais britânicas. Por lá influenciou os jovens, que na época se empolgavam com um tal "skiffle", ritmo tosco com influências de jazz e blues, que foi performado inclusive por bandas seminais tais quais Beatles e T. Rex.

 

Todavia, a música que vinha do outro lado do oceano Atlântico tinha muito mais a oferecer aos sedentos infantes do velho continente do que aquilo que estava sendo feito por lá até então. Assim sendo, um sem números de novos grupos musicais foram surgindo, tanto nos países do Reino Unido quanto em outras regiões adjacentes e até em países fora deste eixo principal. E todos que mantinham contato com esta nova música iam se apropriando, em menor ou maior grau, desta nova sonoridade.

 

Por exemplo, no Brasil, no final da década de 1950, a juventude curtiu o twist e alguns anos mais tarde surgiu o movimento da Jovem Guarda. Tempos depois o tropicalismo ascendeu a um patamar bastante expressivo e influenciou muitos jovens músicos da época, propiciando a formação de diversos grupos que tinham no rock uma das suas principais bases musicais. 

 

Mas voltando ao eixo Estados Unidos/Inglaterra, em determinado momento do grande intercâmbio musical que se formou (no decorrer dos anos 1960), o movimento passou por uma inversão, na medida em que bandas britânicas começaram a serem conhecidas e cultuadas em território americano. Assim sendo, pela segunda vez na história, tivemos uma invasão britânica no continente norte-americano. Desta vez, porém, se tratava apenas de uma invasão musical.

 

Beatles e Rolling Stones (mas não somente eles) foram os grandes conquistadores do território americano nesta época. Com relação aos Stones, particularmente, seus membros tinham interesses mais profundos quando aportaram nos Estados Unidos (primordialmente Keith Richards). Muito mais do que mostrar seu som, os caras queriam mesmo era absorver toda a musicalidade negra que emanava nos guetos do país; e assim, foram retro-alimentando sua música e forjaram as mais belas e influentes canções surgidas através desta mistura de blues, rhythm n' blues e o novo rock n' roll que havia nascido naqueles tempos recentes.

 

Por outro lado, uma nova corrente musical ganhava corpo no caudaloso rio do rock que se formava em terras britânicas...

 

A juventude que habitava as cinzentas cidades industriais inglesas ansiava por uma vida melhor e viu na nova música que estava surgindo a oportunidade de se livrar da sina encarada por seus pais, os quais levavam a difícil vida de trabalhadores de fábricas ou minas de carvão.

 

E estes jovens começaram a compor canções influenciados tanto pela sonoridade das baladas dos Beatles quanto pelo rock n' roll seminal que vinha dos Estados Unidos. Entretanto, a dura realidade que encaravam, a vida pesada e os ambientes plúmbeos que vivenciavam, os levaram a compor canções com uma sonoridade muito pesada, a qual por certo retratava esta realidade.

 

Localidades como a cidade de Birmingham retratavam perfeitamente as condições evidenciadas acima e foi lá que nasceu uma das mais cultuadas bandas do novo estilo que estava surgindo, qual seja, o heavy metal. E logicamente que estamos falando do Black Sabbath.

 

Resumindo esta primeira parte da história, no início da década de 1970 o heavy metal surgiu com tudo nas terras britânicas, angariando seguidores fervorosos por todos os cantos dos país, propiciando uma avalanche de novos grupos musicais dedicados ao estilo. Mas não eram apenas bandas de heavy metal que pipocavam aqui e ali. Diversos grupos musicais seguiram fazendo rock de todos os tipos. 

 

Led Zeppelin e seu misto de blues com tendencias bem pesadas... Pink Floyd e sua música psicodélica... O hard rock vigoroso, melodiso e cheio de swing do Deep Purple... O rock progressivo de bandas como Yes, Genesis e Emerson Lake And Palmer... E por aí vai.

 

E a Inglaterra seguiu exportando seu som para todos os cantos do planeta, principalmente para os Estados Unidos. E o rock n' roll americano, que um dia inebriou os jovens britânicos, passou a ser retro-alimentado por uma enxurrada de novos grupos europeus, gerando assim uma corrente sem fim de musicalidade entre os continentes, sendo o eixo principal aquele compreendido entre Estados Unidos e Inglaterra. Houve ramificações, certamente, mas o "download/upload em banda larga" só ocorreu mesmo neste eixo principal.

 

Destes tempos seminais até os dias de hoje, diversas inversões do movimento cultural musical entre estas duas grandes nações rockeiras foram observadas. Por exemplo, o movimento Punk que queria incendiar Londres e que chegou com tudo nos Estados Unidos... Nos idos dos anos 1980 a "New Wave Of British Heavy Metal" reacendeu o heavy metal em solo britânico e americano. Do outro lado, movimentos musicais sediados na California também incendiaram as terras além mar. Mais tarde, nos anos 1990, a cidade americana que gerou um dos mais cultuados guitarristas do rock de todos os tempos, viu nascer em suas terras várias bandas que faziam um novo rock, tão vigoroso quanto o estilo deve ser, porém, mais despojado e mais rasgado do que em outros tempos. 

 

Do movimento Punk britânico ao Grunge de Seattle, muita água passou por debaixo da ponte musical do rock que ligava Inglaterra e Estados Unidos.

 

 

 

FINAMENTE, OS VIKINGS

 

O texto inicial que você leu acima é, na verdade, uma breve reflexão sobre o surgimento do rock e sua disseminação ao redor do mundo, onde fica claro que durante muito tempo, a despeito do estilo ter se espalhado por todos os cantos do planeta, que um grande eixo formado por Estados Unidos e Inglaterra vem dominando a cena.

 

Entretanto, a partir dos anos 1990, uma nova vertente começou a se formar nas terras gélidas da parte mais ao norte da Europa. Inspiradas por grupos musicais americanos e britânicos que eram adeptos de estilos mais extremos (black e death metal), a juventude destes países passou a incorporar nestes estilos tanto a cultura e história nórdicas e escandinavas quanto a sua forma peculiar de enxergar o mundo.

 

Da mesma forma em que ocorreu nas localidades industriais da Inglaterra, a nova música que surgia nos países escandinavos carregava em seu bojo uma estrutura melódica que encarnava as formas de enxergar o mundo concernente aos seres humanos viventes nestes ambientes mais frios e noturnais. E certamente que o som pesado e soturno proveniente da cena do metal extremo foi bem aceito nestas localidades, resultando assim, no surgimento de diversos grupos musicais dedicados aos estilos mais extremos ligados ao heavy metal. 

 

A Noruega foi um dos grandes celeiros de bandas que incorporaram ao seu som a estética de estilos extremos. Entretanto, Finlândia, Dinamarca e principalmente a Suécia, foram outros países em que o death e o black metal obtiveram grandes repercussões. 

 

 

A SUÉCIA

 

A despeito do heavy metal, em seus formatos mais extremos, ter se infiltrado fortemente em vários países da região escandinava, um fato que vem chamando a atenção dos amantes do rock é o grande números de bandas de rock e heavy metal provenientes da Suécia, principalmente a partir da segunda metade da década de 1990.

 

Comecei a perceber este fato somente a partir do ano de 2010, quando voltei a apresentar o meu programa dominical dedicado ao bom e velho rock n' roll, o Star Trips.

 

Nesta época, mediante minhas próprias pesquisas para encontrar novas bandas e também por conta de diversas indicações de amigos, fui percebendo pouco a pouco a grande quantidade de grupos musicais suecos pelos quais eu estava me interessando.

 

E o mais interessante de tudo é que esta minha percepção era compartilhada por grande parte daqueles amigos que, assim como eu, saíram do lugar comum e partiram para novas descobertas musicais.

 

E uma de minhas constatações era a de que não apenas bandas dedicadas ao death e black metal compunham a miríade de grupos musicais provenientes do país. Conheci excelentes bandas performando rock de estilos dos mais variados, desde grupos com sonoridades bem setentistas até outros fieis aos estilos extremos dos quais falamos mais acima. 

 

E chegamos aos dias de hoje, onde me pego, por exemplo, lendo uma reportagem de um notório e respeitável periódico nacional, qual seja, a revista Roadie Crew, onde estão sendo citadas várias bandas que fazem sua música orientada para aquilo que era feito na década de 1970, sendo que, dentre tais bandas, várias são provenientes da Suécia.

 

Mas não é só isso... A todo momento vejo amigos fazendo postagens em redes sociais indicando essa ou aquela banda da Suécia... Quando vou atualizar a coluna de shows no site do Star Trips (geralmente uma vez por mês), sempre me pego surpreso ao ver mais uma banda sueca aportando em nossas terras... Diversas foram as vezes em que li entrevistas de grandes nomes do rock citando a Suécia como um dos novos celeiros do rock...

 

A minha percepção de que o eixo Estados Unidos/Inglaterra ainda impera no cenário rock mundial persiste. Entretanto, quando penso em rock em nível global, a Suécia passou a ser uma das minhas novas referências.

 

Por certo de que a grande maioria dos grupos musicais formados na Suécia ainda carregam consigo aquela natureza mais agressiva, com temáticas lúgubres e tétricas, com sonoridade soturna, batidas extremamente rápidas e vocais gritados e guturais.

 

Mas no meio disso tudo, vocês poderão encontrar ótimas bandas fazendo um rock mais leve e mais acessível a um público meno afeito aos estilos ligados ao metal extremo. E se este é o seu caso, posso destacar pelo menos quatro representantes suecos que fazem um som diferenciado e com menos violência musical (aqui vale o aparte de que "violência" não significa pouca qualidade musical). 

 

Começo citando o Blues Pills, que tem como vocalista a sueca Ellin Larson, com sua belíssima e cristalina voz. O grupo faz um blues rock muito voltado para a sonoridade dos anos 1970. Vale destacar que a banda surgiu há poucos anos e que seus integrantes tem todos menos de 30 anos de idade.

 

Outro representante sueco que, apesar da imagem assustadora, faz um som menos carregado de elementos extremos é o Ghost. A sonoridade do grupo é certamente forte, todavia nos remete a um heavy metal mais tradicional e por vezes recheado de elementos psicodélicos.

 

Dentre as tantas bandas suecas que eu curto, uma que faz muito a minha cabeça é o Spiritual Beggars. O som dos caras orbita entre o doom metal e o stoner metal, com predominância de peso e uma boa dose de elementos psicodélicos.

 

E para mim, a banda que faz um dos sons mais sofisticados e maduros dentro desta nova abordagem do rock sueco, esta é certamente o Opeth. O grupo começou como uma banda de death metal e aos poucos foi elaborando seu som e o transformando em algo que nos remete ao metal progressivo. Trata-se de uma música que alterna momentos de muito peso (alguns inclusive ainda conservando a roupagem extrema) com viagens musicais maravilhosas. Vale ressaltar que nos últimos trabalhos da banda, esta temática do death metal foi totalmente abolida, restando apenas os elementos do metal progressivo.

 

Destes quatro exemplos citados acima, apenas o Ghost não teve seu trabalho musical dissecado aqui no nosso canal Star Trips. Caso queiram conferir a minha abordagem a respeito dos demais grupos, naveguem pelas guias "DROPS" e "PÍLULAS DE ROCK" do site e ouçam os podcasts.

 

Para finalizar esta matéria, fiz uma rápida pesquisa na internet e trouxe para vocês 25 representantes suecos que surgiram nos últimos 25 anos (alguns deles são um pouco mais velhos e certamente mais conhecidos do grande público). Cada um deles tem o respectivo site oficial linkado ao nome, de forma que vocês possam ir em busca de maiores informações sobre as bandas. Também fiz uma associação ao principal estilo que a banda representa.

 

Confiram a relação a seguir: 

 

 

Amon Amarth (Death Metal)

 

Arch Enemy (Death Metal)

 

At The Gates (Death Metal)

 

Bathory (Black Metal)

 

Blues Pills (Hard Rock/Blues Rock)

 

Candlemass (Doom Metal)

 

Dark Tranquility (Death Metal)

 

Dissection (Black Metal)

 

Europe (Hard Rock/Glam)

 

Evergrey (Metal Progressivo)

 

Ghost (Heavy Metal/Rock Psicodélico)

 

Graveyard (Heavy Metal/Rock Psicodélico)

 

Horisont (Hard Rock)

 

In Flames (Death Metal)

 

Katatonia (Doom Metal)

 

Marduk (Black Metal)

 

Meshuggah (Death Metal)

 

Millencolin (Hardcore/Punk)

 

Opeth (Death Metal/Metal Progressivo)

 

Roxette (Pop Rock)

 

Sabaton (Power Metal)

 

Soilwork (Death Metal)

 

Spiritual Beggars (Stoner Metal)

 

The Hellacopters (Hard Rock)

 

The Hives (Hardcore/Punk)

 

 

Forte abraço a todos e até a próxima

 

Betão Star Trips

 

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